Virtù
Há muito se discute como traduzir virtù, palavra recorrente na obra de Maquiavel. A partir da década de 1970, estudiosos como Claude Lefort (1972) e Jean-François Duvernoy (1974) passaram a manter a forma italiana. Em 1981, Quentin Skinner justificou a mesma escolha por considerar impossível encontrar, no inglês contemporâneo, uma palavra ou perífrase que traduzisse satisfatoriamente esse conceito central, derivado do latim virtus.[1] Na tradição acadêmica francesa, conservar o termo também evita as conotações atuais da palavra "virtude", cujo sentido era mais próximo do italiano na época de Maquiavel. O vocábulo remonta ao latim vir, que designa o homem no sentido mais nobre, aquele de caráter e com papel na vida da cidade.[2][3] O governante dotado de virtù consegue adaptar-se às situações e, segundo o que a fortuna lhe impõe[N 1], passar do bem ao mal.[4] É a qualidade de quem pode proteger o Estado e realizar grandes feitos.[4] Para Duvernoy, a relação entre a psicologia e a virtù é antes de luta que de identificação: esta não se reduz a um traço psicológico.[5]


