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Resumo por capítulo

Crítica da Razão Pura

Por Immanuel Kant

O resumo de cada capítulo de “Crítica da Razão Pura”, de Immanuel Kant.

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38 capítulos · texto em inglês

Capítulos

  1. 01Texto (sem resumo)
  2. 02Prefácio do tradutor (sem resumo)
  3. 03Prefácio à Primeira Edição
  4. 04Prefácio à Segunda Edição
  5. 05Introdução
  6. 06Parte Primeira — Estética Transcendental
  7. 07Parte Segunda
  8. 08Primeira Divisão: Analítica Transcendental
  9. 09Livro I — Analítica dos Conceitos
  10. 10Da Pista Transcendental para a Descoberta de Todas as Concepções Puras do Entendimento
  11. 11Da Dedução dos Conceitos Puros do Entendimento (parte 1)
  12. 12Resultado desta Dedução dos Conceitos do Entendimento (parte 2)
  13. 13Livro Dois
  14. 14Do Esquematismo dos Conceitos Puros do Entendimento
  15. 15Sistema de Todos os Princípios do Entendimento Puro (parte 1)
  16. 16Sistema de Todos os Princípios do Entendimento Puro (Parte 2) (parte 2)
  17. 17Dos Postulados do Pensamento Empírico em Geral (parte 3)
  18. 18Do Fundamento da Divisão de Todos os Objetos em Fenômenos e Noumenos (parte 1)
  19. 19Sobre o Fundamento da Distinção de Todos os Objetos em Geral em Fenômenos e Númenos (parte 2)
  20. 20Segunda Divisão: Dialética Transcendental
  21. 21Das Concepções da Razão Pura
  22. 22Livro II — Do procedimento dialético da razão pura
  23. 23Dos Paralogismos da Razão Pura
  24. 24A Antinomia da Razão Pura (parte 1) (sem resumo)
  25. 25Antinomia da Razão Pura (parte 2)
  26. 26Capítulo 2 (Parte 3) (parte 3)
  27. 27Solução da Ideia Cosmológica da Totalidade da Dependência das Existências Fenomênicas (parte 4)
  28. 28O Ideal da Razão Pura (parte 1)
  29. 29Capítulo Terceiro (Parte 2) (parte 2)
  30. 30Do Fim Último da Dialética Natural da Razão Humana (parte 3) (sem resumo)
  31. 31O Ideal da Razão Pura (parte 4)
  32. 32Doutrina Transcendental do Método
  33. 33A Disciplina da Razão Pura (parte 1)
  34. 34A Disciplina da Razão Pura (parte 2)
  35. 35Cânone da Razão Pura
  36. 36A Arquitetônica da Razão Pura
  37. 37A História da Razão Pura
  38. 38Errata (sem resumo)

Os resumos

3. Prefácio à Primeira Edição

No original: Preface 1

A razão humana é levada por sua própria natureza a questões que ultrapassam a experiência e não consegue responder, gerando disputas, contradições e desconfiança em relação à metafísica. Kant apresenta a investigação crítica da razão pura como um exame de suas capacidades, origens, alcance e limites, destinado a distinguir conhecimentos legítimos de pretensões sem fundamento. A obra busca estabelecer seus resultados com certeza e clareza, embora priorize a exposição sistemática em vez de exemplos. Kant afirma que a crítica deve fornecer os fundamentos para um sistema completo da razão especulativa.

4. Prefácio à Segunda Edição

No original: Preface 2

Kant observa que a metafísica ainda não encontrou um método científico seguro e propõe, seguindo o exemplo da matemática e da física, investigar se os objetos devem conformar-se ao nosso modo de conhecê-los. Essa mudança permite explicar o conhecimento a priori, mas mostra que a razão teórica só conhece fenômenos, não as coisas em si, e não pode ultrapassar a experiência possível. A crítica limita a razão especulativa e, assim, preserva espaço para o uso prático da razão, a liberdade e a moralidade. Nesta segunda edição, Kant esclarece passagens que haviam causado dificuldades, sem alterar as proposições, demonstrações ou o plano geral da obra.

5. Introdução

No original: Introduction

Todo conhecimento começa com a experiência, mas nem todo deriva dela: Kant distingue o conhecimento empírico do conhecimento a priori, cuja pureza depende de não conter elementos empíricos. Necessidade e universalidade estrita são critérios do conhecimento a priori, e os juízos podem ser analíticos, quando apenas explicam o que já está no conceito, ou sintéticos, quando acrescentam algo a ele. Kant sustenta que matemática, física e metafísica envolvem juízos sintéticos a priori e formula como problema central da razão pura explicar como eles são possíveis. A crítica da razão deve investigar as fontes, a validade e os limites desse conhecimento, preparando uma ciência da razão sem ultrapassar o que pode ser legitimamente conhecido.

6. Parte Primeira — Estética Transcendental

No original: Volume 1 › Part 1

Kant distingue sensibilidade, que recebe intuições, de entendimento, que pensa por conceitos, e afirma que espaço e tempo são formas puras da intuição, dadas a priori. O espaço é a forma do sentido externo; o tempo, a do sentido interno e, por isso, condição de todos os fenômenos. Ambos não pertencem às coisas em si, mas são subjetivos e, ao mesmo tempo, objetivamente válidos para os objetos da experiência. Como intuições a priori, tornam possíveis conhecimentos sintéticos, como os da geometria, mas só se aplicam aos fenômenos, não às coisas consideradas independentemente da sensibilidade.

7. Parte Segunda

No original: Volume 1 › Part 2

O conhecimento resulta da receptividade sensível, que nos dá objetos por intuição, e do entendimento, que os pensa por conceitos; nenhuma dessas faculdades basta por si só. A lógica geral considera apenas a forma do pensamento, enquanto a lógica transcendental investiga os conceitos e princípios puros do entendimento em sua relação a priori com objetos. A lógica fornece critérios formais contra a contradição, mas não pode garantir a verdade material de uma cognição nem determinar sua concordância com o objeto. A lógica transcendental divide-se em Analítica, que trata dos elementos e princípios do conhecimento puro, e Dialética, que critica o uso desses princípios para além dos limites da experiência e denuncia a ilusão resultante.

8. Primeira Divisão: Analítica Transcendental

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1

A Analítica Transcendental decompõe o conhecimento a priori nos elementos da cognição pura do entendimento. Seus conceitos devem ser puros, pertencer ao pensamento e ao entendimento, ser elementares e compor uma tabela completa. Essa completude só pode ser estabelecida a partir da ideia da totalidade do conhecimento a priori do entendimento e de sua organização sistemática. Como unidade independente da experiência e da sensibilidade, o entendimento puro forma um sistema cuja articulação permite verificar a correção de suas partes. Esta divisão da lógica transcendental contém dois livros: um trata dos conceitos, o outro, dos princípios do entendimento puro.

9. Livro I — Analítica dos Conceitos

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 1

A “Analítica dos Conceitos” não consiste em decompor conceitos segundo seu conteúdo para esclarecê-los, mas em examinar a própria faculdade do entendimento. Seu objetivo é investigar a possibilidade de conceitos a priori, buscando sua origem no entendimento e analisando seu uso puro. Essa investigação é tarefa da filosofia transcendental; o tratamento lógico dos conceitos pertence à filosofia em geral. Kant propõe acompanhar os conceitos puros até suas raízes no entendimento, onde se desenvolvem por ocasião da experiência e são depurados de suas condições empíricas.

10. Da Pista Transcendental para a Descoberta de Todas as Concepções Puras do Entendimento

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 1 › Chapter 1

Kant sustenta que a filosofia transcendental deve descobrir as concepções puras do entendimento por um princípio sistemático, em vez de reuni-las ao acaso. Como o entendimento não intui, mas conhece por concepções e julga por meio delas, suas funções podem ser identificadas pelas formas dos juízos: quantidade, qualidade, relação e modalidade. A síntese reúne representações diversas, e as categorias são concepções puras que dão unidade a essa síntese, correspondendo às funções dos juízos. O capítulo apresenta a tabela das categorias e explica sua organização, distinguindo categorias matemáticas e dinâmicas e mostrando que unidade, verdade e perfeição são critérios lógicos do conhecimento, não novas categorias.

11. Da Dedução dos Conceitos Puros do Entendimento (parte 1)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 1 › Chapter 2 (parte 1)

Kant distingue a dedução transcendental, que justifica o uso das categorias a priori, da dedução empírica, que apenas explica como conceitos são adquiridos pela experiência. A unidade sintética da apercepção — a possibilidade de reunir representações sob o “eu penso” — é condição para que elas constituam conhecimento de objetos, e as categorias são necessárias a essa unidade. Contudo, pensar um objeto não é conhecê-lo: as categorias só têm uso legítimo quando aplicadas à intuição sensível e, portanto, aos objetos da experiência. A síntese da imaginação reúne o múltiplo da intuição segundo as categorias; assim, estas são condições a priori da experiência e prescrevem leis aos fenômenos.

12. Resultado desta Dedução dos Conceitos do Entendimento (parte 2)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 1 › Chapter 2 (parte 2)

As leis que regem a conexão dos fenômenos dependem das categorias do entendimento, pois toda percepção possível está sujeita a elas; já as leis particulares, relativas a fenômenos empiricamente determinados, exigem a experiência. Só podemos pensar objetos por meio das categorias e conhecê-los por intuições, que são sensíveis; por isso, nosso conhecimento a priori limita-se aos objetos da experiência possível. As categorias não derivam da experiência: são condições que a tornam possível. Kant rejeita a hipótese de que sejam aptidões subjetivas preestabelecidas, pois isso eliminaria a necessidade objetiva que lhes é própria.

13. Livro Dois

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 2

A lógica transcendental analítica constitui um cânone para a faculdade de julgar, pois a razão, ao ultrapassar os limites da experiência possível, produz afirmações ilusórias e não pode ter um cânone nessa parte. Julgar é subsumir casos particulares sob regras; embora o entendimento possa ser instruído por regras, a capacidade de aplicá-las corretamente depende de um talento que se aprimora com a prática e com exemplos. A filosofia transcendental pode indicar tanto as condições gerais das regras quanto os casos aos quais elas se aplicam, já que trata de conceitos que se relacionam a priori com seus objetos. A doutrina transcendental da faculdade de julgar abordará o esquematismo do entendimento puro e os princípios sintéticos a priori que fundamentam os demais conhecimentos.

14. Do Esquematismo dos Conceitos Puros do Entendimento

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 2 › Chapter 1

Para aplicar as categorias do entendimento aos fenômenos, é necessário um mediador homogêneo tanto com elas quanto com a sensibilidade: o esquema transcendental, uma determinação do tempo produzida pela imaginação. Os esquemas não são imagens, mas regras para sintetizar intuições; os das categorias são determinações do tempo que correspondem às categorias de quantidade, qualidade, relação e modalidade. Assim, os esquemas tornam possível que as categorias se apliquem aos objetos e tenham significado, restringindo seu uso aos fenômenos e à experiência possível. Sem esquemas, as categorias conservam apenas uma função lógica e não representam objeto algum.

15. Sistema de Todos os Princípios do Entendimento Puro (parte 1)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 2 › Chapter 2 (parte 1)

Kant apresenta os princípios do entendimento puro como regras para o uso objetivo das categorias e distingue os juízos analíticos dos sintéticos. O princípio da contradição é o critério suficiente dos juízos analíticos, mas não basta para estabelecer a verdade dos sintéticos, cuja possibilidade depende das condições da experiência. Os princípios são organizados em axiomas da intuição, antecipações da percepção, analogias da experiência e postulados do pensamento empírico; os fenômenos são quantidades extensivas e as sensações possuem graus intensivos. A experiência exige uma conexão necessária entre percepções, e a primeira analogia afirma que a substância permanece em todas as mudanças dos fenômenos, sem aumento ou diminuição de sua quantidade.

16. Sistema de Todos os Princípios do Entendimento Puro (Parte 2) (parte 2)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 2 › Chapter 2 (parte 2)

Kant sustenta que a permanência das substâncias torna possível determinar mudanças no tempo, e que a experiência de um acontecimento exige uma regra causal que ligue necessariamente o estado anterior ao seguinte. A causalidade fundamenta a validade objetiva dos juízos sobre a sucessão; já a coexistência das substâncias só pode ser conhecida mediante sua ação recíproca. As três analogias determinam as relações temporais dos fenômenos e tornam possível conceber a natureza como um conjunto regido por leis. Por fim, os postulados definem possibilidade, realidade e necessidade em relação às condições da experiência: a possibilidade requer concordância com sua forma, a realidade, conexão com a sensação, e a necessidade, determinação segundo condições universais da experiência.

17. Dos Postulados do Pensamento Empírico em Geral (parte 3)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 2 › Chapter 2 (parte 3)

A existência de uma coisa não pode ser concluída de seu mero conceito: ela é conhecida pela percepção ou por sua conexão com percepções segundo leis empíricas. Kant sustenta que a consciência determinada de nossa existência no tempo prova a existência de objetos externos, pois essa determinação exige algo permanente na percepção. A necessidade só é conhecida na conexão causal entre fenômenos, e os princípios de modalidade indicam como um conceito se relaciona com a faculdade de conhecimento. As categorias, por si sós, não produzem conhecimento nem demonstram a possibilidade dos objetos; os princípios do entendimento puro valem para tornar possível a experiência.

18. Do Fundamento da Divisão de Todos os Objetos em Fenômenos e Noumenos (parte 1)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 2 › Chapter 3 (parte 1)

Kant sustenta que as categorias e os princípios do entendimento só têm uso empírico: aplicam-se a objetos de uma experiência possível, não às coisas em si. O noumeno pode ser pensado apenas em sentido negativo, como conceito-limite que restringe a sensibilidade, mas não conhecido como objeto, pois não dispomos de intuição não sensível. No apêndice, a reflexão transcendental compara as representações com as faculdades de cognição a que pertencem e, assim, permite determinar corretamente as relações entre conceitos e objetos. Kant distingue identidade e diferença, concordância e oposição, interior e exterior, matéria e forma, mostrando que sua aplicação depende dessa distinção entre entendimento e sensibilidade. A confusão entre esses usos, atribuída a Leibniz, leva a conclusões indevidas sobre fenômenos e coisas em si.

19. Sobre o Fundamento da Distinção de Todos os Objetos em Geral em Fenômenos e Númenos (parte 2)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 1 › Book 2 › Chapter 3 (parte 2)

Kant afirma que as coisas conhecidas pela sensibilidade podem consistir em relações, sem que seja necessário supor nelas um substrato absolutamente interno. As categorias só se aplicam a objetos dados pela intuição sensível; por isso, não permitem conhecer coisas em si. O númeno pode ser admitido apenas em sentido negativo, como conceito problemático que marca os limites da sensibilidade, não como objeto conhecido pelo entendimento. Ao final, o capítulo distingue quatro sentidos de nada: conceito vazio sem objeto, ausência de um objeto, intuição vazia e objeto impossível por contradição.

20. Segunda Divisão: Dialética Transcendental

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 2

A dialética transcendental examina uma ilusão natural e inevitável pela qual fundamentos subjetivos do juízo são tomados por princípios objetivos, levando a razão além dos limites da experiência. Kant distingue os princípios imanentes, restritos à experiência possível, dos transcendentes, que pretendem ultrapassá-la. A razão, distinta do entendimento, busca unificar suas regras e encontrar o incondicionado para o conhecimento condicionado. A dialética investigará se essa exigência tem validade objetiva ou se é apenas uma orientação lógica, e exporá as ilusões que dela decorrem.

21. Das Concepções da Razão Pura

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 2 › Book 1

Kant distingue as categorias do entendimento, limitadas à experiência, das ideias da razão, que buscam a totalidade incondicionada das condições. Essas ideias não correspondem a objetos que possam ser dados na experiência, mas orientam o entendimento em direção a uma unidade sistemática. A razão produz três classes de ideias transcendentais: a unidade do sujeito pensante, a totalidade dos fenômenos e a condição suprema de todos os objetos do pensamento. Embora não determinem objetos, as ideias podem guiar o conhecimento e, no uso prático, orientar ações segundo regras e ideais.

22. Livro II — Do procedimento dialético da razão pura

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 2 › Book 2

As ideias transcendentais são produtos necessários da razão, embora não possamos conhecer objetos que lhes correspondam perfeitamente. A razão chega, por argumentos sem premissas empíricas, a algo de que não temos concepção e a que, por uma ilusão inevitável, atribuímos realidade objetiva; essa ilusão não pode ser eliminada, embora seja possível evitar o erro. O capítulo distingue três tipos desses argumentos: o paralogismo transcendental, relativo à unidade do sujeito; a antinomia da razão pura, relativa à totalidade das condições de um fenômeno; e o ideal da razão pura, relativo à unidade das condições de possibilidade das coisas em geral.

23. Dos Paralogismos da Razão Pura

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 2 › Book 2 › Chapter 1

Kant examina a psicologia racional, que pretende deduzir a natureza da alma apenas da proposição “eu penso”. A unidade e a simplicidade do eu no pensamento não provam que ele seja uma substância simples, pessoal e permanente: essas conclusões confundem funções lógicas da consciência com conhecimento de um objeto, que exigiria intuição. Como a experiência interna não fornece uma intuição permanente, não se pode demonstrar a constituição da alma nem sua existência após a morte; tampouco se pode determinar se ela existe separada dos objetos externos. A psicologia racional não amplia o conhecimento, mas limita as pretensões da razão especulativa, sem eliminar o uso prático da razão em relação à vida futura.

25. Antinomia da Razão Pura (parte 2)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 2 › Book 2 › Chapter 2 (parte 2)

O texto conclui que não se pode demonstrar, pela série dos fenômenos, a existência de um ser absolutamente necessário, pois a mudança estabelece apenas uma contingência empírica. Kant mostra que tese e antítese parecem igualmente defensáveis porque consideram a série de condições sob perspectivas distintas, e examina os interesses práticos, especulativos e populares ligados a cada posição. Sustenta que os problemas cosmológicos da razão exigem uma solução crítica, embora não possam ser respondidos como questões sobre coisas em si. O idealismo transcendental permite compreender os fenômenos como representações dadas na experiência; a antinomia surge quando se toma a totalidade das condições como já dada, confundindo o sentido transcendental e o empírico de “condicionado”.

26. Capítulo 2 (Parte 3) (parte 3)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 2 › Book 2 › Chapter 2 (parte 3)

Kant explica que a antinomia cosmológica surge da ilusão de tratar os fenômenos como coisas em si: o mundo não é, em si, finito nem infinito, e a razão deve orientar um regresso empírico sem impor-lhe um limite absoluto. Distingue o regresso infinito, aplicável à divisão de um todo dado na intuição, do regresso indefinido, pelo qual se buscam condições ainda mais remotas. Ao passar às ideias dinâmicas, sustenta que natureza e liberdade podem coexistir: uma ação pode ser necessária como fenômeno e livre em relação a uma causa inteligível. O trecho inicia a análise da liberdade e observa que o ser humano se conhece tanto pelos sentidos quanto pela apercepção pura, por meio do entendimento e da razão.

27. Solução da Ideia Cosmológica da Totalidade da Dependência das Existências Fenomênicas (parte 4)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 2 › Book 2 › Chapter 2 (parte 4)

Kant sustenta que a razão prática pode ser considerada livre em seu caráter inteligível, embora as ações humanas, como fenômenos, sejam determinadas por condições empíricas. Assim, liberdade e necessidade natural podem coexistir, pois dizem respeito a tipos distintos de condições; o texto não pretende provar a existência nem a possibilidade da liberdade, mas mostrar que ela não contradiz a natureza. Quanto à dependência dos fenômenos, todos têm existência empiricamente condicionada, mas isso não exclui a possibilidade de uma condição necessária inteligível, situada fora da série empírica. Essa possibilidade não é uma prova de existência: a razão deve prosseguir indefinidamente na investigação empírica, sem afirmar nem negar, com base nela, um fundamento inteligível.

28. O Ideal da Razão Pura (parte 1)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 2 › Book 2 › Chapter 3 (parte 1)

Kant distingue ideias, que orientam a razão sem poderem ser apresentadas concretamente, de ideais, que servem de modelos para determinar, imitar ou avaliar. O ideal transcendental representa a totalidade da realidade e funciona como fundamento da determinação completa das coisas, mas isso não autoriza tratá-lo como um ser existente. O argumento ontológico não demonstra a existência de Deus: afirmar que algo existe não acrescenta um predicado ao seu conceito, e a existência de objetos de pensamento puro não pode ser conhecida sem experiência. O argumento cosmológico também não prova um ser supremo, pois, embora parta de uma existência dada para postular um ser necessário, recorre à ideia de realidade suprema para caracterizá-lo e acaba dependendo do argumento ontológico.

29. Capítulo Terceiro (Parte 2) (parte 2)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 2 › Book 2 › Chapter 3 (parte 2)

Kant sustenta que a necessidade de uma causa primeira e suprema funciona como princípio regulador da razão, não como prova de que tal ser exista. O argumento físico-teológico, embora estimule a investigação da natureza e conduza à ideia de uma causa inteligente, não demonstra um criador necessário nem determina suas perfeições; para isso, recorre aos argumentos cosmológico e ontológico. Em seguida, Kant afirma que a razão especulativa não pode provar a existência de um ser supremo, pois seus princípios só valem na experiência, embora a teologia transcendental ajude a esclarecer essa ideia e a evitar contradições. Por fim, explica que as ideias da razão devem orientar o entendimento na busca de unidade sistemática do conhecimento, sem serem tomadas como objetos reais.

31. O Ideal da Razão Pura (parte 4)

No original: Volume 1 › Part 2 › Division 2 › Book 2 › Chapter 3 (parte 4)

A ideia de um ser supremo pode ser usada como princípio regulativo para investigar a unidade sistemática da natureza, sem que isso implique afirmar sua existência ou conhecê-la. Podemos atribuir-lhe, por analogia, entendimento, sentimentos e vontade, e supor perfeição infinita, como orientação para buscar a unidade da natureza. A razão pura não amplia o conhecimento para além da experiência: suas ideias regulativas unificam o conhecimento, mas, se tomadas como princípios constitutivos de um saber transcendente, geram ilusões e contradições. Por isso, Kant considera necessário investigar as fontes dos raciocínios dialéticos da razão e registrar seus erros como advertência aos futuros metafísicos.

32. Doutrina Transcendental do Método

No original: Volume 2

Kant compara o conhecimento da razão especulativa pura a um edifício: a investigação anterior examinou seus materiais e mostrou que eles bastam para uma morada adequada às necessidades terrestres, mas não para uma torre até o céu. A tentativa de ultrapassar esses limites fracassa por falta de materiais e pelas disputas entre os construtores. A doutrina transcendental do método determina as condições formais de um sistema completo da razão pura e trata de sua disciplina, cânone, arquitetônica e história. Ela também aborda, de modo transcendental, o que a lógica prática tentou realizar sem êxito, pois a lógica geral só pode fornecer nomes e indicações de métodos, sem explicar sua aplicação concreta.

33. A Disciplina da Razão Pura (parte 1)

No original: Volume 2 › Chapter 1 (parte 1)

Kant distingue o conhecimento filosófico, que procede por conceitos, do matemático, que constrói conceitos em intuições; por isso, definições, axiomas e demonstrações matemáticos não podem ser simplesmente aplicados à filosofia. No uso transcendental, a razão precisa de disciplina para não ultrapassar os limites da experiência possível, e a crítica deve examinar livremente suas pretensões. Em disputas sobre objetos que transcendem a experiência, não se pode demonstrar conclusivamente nem a afirmação nem a negação; isso não impede que princípios ligados à experiência sejam provados com certeza. A crítica, ao determinar os direitos e limites da razão, pode substituir o conflito dogmático por um exame ordenado.

34. A Disciplina da Razão Pura (parte 2)

No original: Volume 2 › Chapter 1 (parte 2)

Kant afirma que o ceticismo deve despertar a razão para examinar seus poderes, mas não pode ser seu estado permanente: só a crítica determina os limites necessários do conhecimento. Contra Hume, sustenta que princípios como a causalidade não se reduzem a hábitos empíricos, pois tornam possível a experiência. Hipóteses podem servir para responder a objeções, mas não para provar afirmações especulativas; devem apoiar-se na possibilidade da experiência e não substituir a investigação de causas naturais. As provas transcendentais precisam justificar a validade dos conceitos empregados, ter um único fundamento e ser diretas, pois argumentos indiretos não estabelecem a verdade de proposições sobre objetos fora da experiência.

35. Cânone da Razão Pura

No original: Volume 2 › Chapter 2

A razão pura especulativa não pode ampliar o conhecimento para além da experiência; sua função é disciplinar a razão e evitar erros. Seu uso legítimo como cânone é prático: as leis morais determinam a priori como devemos agir, e a razão orienta a tornar-nos dignos da felicidade, não a agir para obtê-la. O bem supremo reúne moralidade e felicidade proporcional ao mérito, cuja conexão não pode ser garantida pela natureza; por isso, a razão prática leva a postular Deus e uma vida futura. Kant distingue opinião, crença e conhecimento conforme a suficiência subjetiva e objetiva do juízo, e caracteriza a crença moral em Deus e na vida futura como uma certeza prática, não como conhecimento especulativo.

36. A Arquitetônica da Razão Pura

No original: Volume 2 › Chapter 3

Kant define a arquitetônica como a arte de construir sistemas: o conhecimento só se torna ciência quando suas partes se unificam sob uma ideia e um fim, em vez de formar um agregado. Distingue o conhecimento histórico, recebido de outros, do racional, extraído pelo próprio sujeito de princípios; a filosofia não pode ser simplesmente aprendida, mas é possível aprender a filosofar, examinando e avaliando princípios. A filosofia, em sua concepção mais ampla, orienta o conhecimento aos fins essenciais da razão humana, sobretudo à destinação moral, e abrange as leis da natureza e da liberdade. A metafísica organiza o conhecimento puro da razão em partes sistemáticas; sua crítica limita os excessos da razão especulativa e contribui para a ordem das ciências e para sua orientação aos fins humanos.

37. A História da Razão Pura

No original: Volume 2 › Chapter 4

Kant apresenta a história da razão pura como uma divisão do sistema que não desenvolverá, oferecendo apenas um breve panorama das ideias que marcaram a metafísica. Quanto ao objeto do conhecimento, distingue sensualistas, que situam a realidade nos objetos sensíveis, e intelectualistas, que a localizam no entendimento. Quanto à origem do conhecimento puro, contrapõe os empiristas, que o derivam da experiência, aos que o atribuem exclusivamente à razão. Quanto ao método, critica o naturalismo que dispensa a ciência e distingue os procedimentos dogmático e cético; para ele, permanece aberto o caminho crítico, capaz de conduzir a razão à satisfação em suas investigações.

Para ler a obra inteira

Crítica da Razão Pura

Immanuel Kant

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