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Resumo por capítulo

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Por Machado de Assis

O resumo de cada capítulo de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

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160 capítulos · texto em português

Capítulos

  1. 01Texto (sem resumo)
  2. 02Prefácio
  3. 03Óbito do Autor
  4. 04Capítulo II
  5. 05Genealogia
  6. 06Capítulo IV (sem resumo)
  7. 07Capítulo V
  8. 08Capítulo VI
  9. 09O Delírio
  10. 10Capítulo VIII (sem resumo)
  11. 11Capítulo IX
  12. 12Capítulo X
  13. 13Capítulo XI
  14. 14Um Episódio de 1814
  15. 15Capítulo XIV
  16. 16Um salto
  17. 17Capítulo XV
  18. 18Capítulo XVI (sem resumo)
  19. 19Capítulo XVII
  20. 20Capítulo XVIII
  21. 21Capítulo XIX
  22. 22Capítulo XX
  23. 23Capítulo XXI
  24. 24Capítulo XXII
  25. 25Capítulo XXIII
  26. 26Capítulo XXIV
  27. 27Capítulo XXV
  28. 28Capítulo XXVI
  29. 29Capítulo XXVII
  30. 30Capítulo XXVIII (sem resumo)
  31. 31Capítulo XXIX
  32. 32Capítulo XXX (sem resumo)
  33. 33Capítulo XXXI
  34. 34Capítulo XXXII
  35. 35Capítulo XXXIII
  36. 36Capítulo XXXIV
  37. 37Capítulo XXXV
  38. 38Capítulo XXXVI
  39. 39Capítulo XXXVII
  40. 40XXXVIII
  41. 41Capítulo XXXIX (sem resumo)
  42. 42Capítulo XL
  43. 43Capítulo XLI (sem resumo)
  44. 44Capítulo XLII (sem resumo)
  45. 45Capítulo XLIII
  46. 46Capítulo XLIV
  47. 47Capítulo XLV
  48. 48Capítulo XLVI
  49. 49Capítulo XLVII
  50. 50Capítulo XLVIII
  51. 51Capítulo XLIX
  52. 52L
  53. 53Capítulo LI
  54. 54LII
  55. 55Capítulo LIII
  56. 56Capítulo LIV
  57. 57Capítulo LVI
  58. 58Capítulo LVII
  59. 59Capítulo LVIII
  60. 60Capítulo LIX
  61. 61Capítulo LX
  62. 62Capítulo LXI
  63. 63O Travesseiro
  64. 64Fujamos!
  65. 65A Transação
  66. 66Capítulo LXV
  67. 67Capítulo LXVI
  68. 68Capítulo LXVII
  69. 69O Vergalho
  70. 70Capítulo LXIX (sem resumo)
  71. 71Capítulo LXX (sem resumo)
  72. 72Capítulo LXXI
  73. 73Capítulo LXXII
  74. 74História de D. Plácida
  75. 75Capítulo LXXIII
  76. 76Capítulo LXXV
  77. 77Capítulo LXXVI
  78. 78Capítulo LXXVII
  79. 79Capítulo LXXVIII
  80. 80Capítulo LXXIX
  81. 81Capítulo LXXX
  82. 82Capítulo LXXXI
  83. 83Capítulo LXXXII
  84. 84Capítulo LXXXIII
  85. 85Capítulo LXXXIV (sem resumo)
  86. 86Capítulo LXXXV
  87. 87Capítulo LXXXVI (sem resumo)
  88. 88Capítulo LXXXVII (sem resumo)
  89. 89Capítulo LXXXVIII
  90. 90In Extremis
  91. 91Capítulo XC
  92. 92Capítulo XCI (sem resumo)
  93. 93Capítulo XCII
  94. 94Capítulo XCIII
  95. 95Capítulo XCIV (sem resumo)
  96. 96Capítulo XCV (sem resumo)
  97. 97Capítulo XCVI
  98. 98Capítulo XCVII (sem resumo)
  99. 99Capítulo XCVIII
  100. 100Capítulo XCIX (sem resumo)
  101. 101Capítulo C
  102. 102Capítulo CI
  103. 103Capítulo CII (sem resumo)
  104. 104Distração (sem resumo)
  105. 105Era Ele!
  106. 106Capítulo CV (sem resumo)
  107. 107Capítulo CVI
  108. 108Capítulo CVII (sem resumo)
  109. 109Capítulo CVIII
  110. 110O Filósofo
  111. 111Capítulo CX (sem resumo)
  112. 112Capítulo CXI
  113. 113Capítulo CXII
  114. 114Capítulo CXIII (sem resumo)
  115. 115Capítulo CXIV (sem resumo)
  116. 116Capítulo CXV
  117. 117Capítulo CXVI
  118. 118Capítulo CXVII
  119. 119Capítulo CXVIII
  120. 120Capítulo CXIX
  121. 121Capítulo CXX
  122. 122Capítulo CXXI
  123. 123Capítulo CXXII
  124. 124Capítulo CXXIII
  125. 125Capítulo CXXIV
  126. 126Capítulo CXXVI
  127. 127Capítulo CXXVII (sem resumo)
  128. 128Capítulo CXXVIII
  129. 129Sem Remorsos
  130. 130Capítulo CXXX
  131. 131Capítulo CXXXI
  132. 132Capítulo CXXXII (sem resumo)
  133. 133Capítulo CXXXIV
  134. 134Capítulo CXXXIII
  135. 135Esquecimento
  136. 136A Barretina
  137. 137Capítulo CXXXVIII (sem resumo)
  138. 138Capítulo CXXXIX (sem resumo)
  139. 139Capítulo CXL
  140. 140Capítulo CXLI
  141. 141Capítulo CXLII
  142. 142Capítulo CXLIII
  143. 143Utilidade Relativa (sem resumo)
  144. 144Capítulo CXLV (sem resumo)
  145. 145Capítulo CXLVI
  146. 146Capítulo CXLVII (sem resumo)
  147. 147O Problema Insolúvel
  148. 148Teoria do Benefício
  149. 149Capítulo CL (sem resumo)
  150. 150Capítulo CLI (sem resumo)
  151. 151Capítulo CLII
  152. 152Capítulo CLIII
  153. 153Capítulo CLIV
  154. 154Capítulo CLV (sem resumo)
  155. 155Capítulo CLVI (sem resumo)
  156. 156Capítulo CLVII
  157. 157Dois Encontros
  158. 158A Semidemência
  159. 159Capítulo CLX
  160. 160Prólogo da 3ª edição

Os resumos

2. Prefácio

Brás Cubas prevê que seu livro talvez tenha poucos leitores e o descreve como uma obra difusa, escrita com a pena da galhofa e a tinta da melancolia. Diz que os leitores graves poderão vê-lo como romance, enquanto os frívolos não encontrarão nele o romance habitual, deixando-o sem a estima de uns e o afeto de outros. Para conquistar a opinião, evita um prólogo longo e não explica o processo extraordinário de composição, que considera desnecessário para entender a obra. Se o livro agradar ao leitor, dará por paga a tarefa; se não, despede-se com um piparote.

3. Óbito do Autor

No original: I

O narrador explica que escolheu começar suas memórias pela morte, pois se considera um defunto autor e acha esse método mais original. Conta que morreu em agosto de 1869, aos 64 anos, e que onze amigos o acompanharam ao cemitério; entre os presentes, uma mulher anônima sofreu mais com sua morte do que as parentes. Ao recordar seus últimos momentos, descreve os sons ao redor e a perda gradual da consciência. Diz que morreu de pneumonia, mas que a causa foi menos a doença do que uma ideia grandiosa e útil, cuja história promete contar.

4. Capítulo II

No original: II

Durante um passeio pela chácara, Brás Cubas concebe a invenção de um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a melancolia da humanidade. Ao redigir o pedido de privilégio, apresenta seus benefícios cristãos e pecuniários, mas confessa que também desejava ver seu nome, “Emplasto Brás Cubas”, divulgado por toda parte. Reconhece que a ideia tinha duas faces: filantropia e lucro, de um lado, e sede de fama, de outro. Recorda a divergência entre um tio cônego, contrário à glória temporal, e um tio militar, que a considerava uma inclinação genuinamente humana, e deixa a decisão ao leitor.

5. Genealogia

No original: III

Brás Cubas traça a genealogia de sua família: Damião Cubas, tanoeiro que se tornou lavrador e deixou fortuna ao filho, Luiz Cubas, estudado em Coimbra e ligado ao vice-rei conde da Cunha. Seu pai tentou afastar o sobrenome da tanoaria, primeiro alegando descendência do capitão-mor Brás Cubas e, depois, inventando que o nome fora dado a um cavaleiro por tomar trezentas cubas dos mouros. Brás menciona a sobrinha Venância, a quem chama de lírio do vale, e interrompe a apresentação de Cotrim para voltar ao emplasto.

7. Capítulo V

No original: V

Enquanto preparava sua invenção farmacêutica, Brás Cubas foi atingido por uma corrente de ar, adoeceu e se tratou sem método nem persistência; atribui a isso a doença que o levou à morte. Ele imagina que poderia ter vivido até idade avançada ou se dedicado a uma instituição política ou reforma religiosa, mas um sopro de ar teria frustrado seus planos. Em seguida, despede-se da mulher mais formosa de seu tempo, uma antiga amante de 54 anos, a quem vê aparecer à porta de sua alcova quando já está enfermo.

8. Capítulo VI

No original: VI

À beira da morte, Brás Cubas vê Virgília entrar em sua alcova e, por um instante, recorda a juventude dos dois; logo, porém, percebe que restam apenas corações envelhecidos e saciados da vida. Eles conversam com familiaridade, e Virgília anuncia que voltará acompanhada do filho, Nhonhô. Dois dias depois, ela retorna com o rapaz e se mostra serena, sem deixar transparecer qualquer sinal dos antigos amores. Ao ouvi-la falar com indignação de uma mulher envolvida em amores ilegítimos, Brás pensa no que diriam deles os “gaviões”; então começa seu delírio.

9. O Delírio

No original: VII

Durante um delírio, Brás Cubas se transforma em figuras diversas e é levado por um hipopótamo à origem dos séculos. Lá encontra Natureza, também chamada Pandora, que se declara sua mãe e inimiga e lhe mostra a sucessão da vida, da dor e das ilusões humanas. Diante do espetáculo, ele primeiro pede para viver, mas depois observa com serenidade os séculos passarem. A visão se desfaz, e o hipopótamo revela-se o gato Sultão, brincando com uma bola de papel.

11. Capítulo IX

No original: IX

O narrador mostra como passa do delírio diante de Virgília ao relato de seu nascimento: Virgília foi seu grande pecado da juventude, e a juventude supõe a meninice, que supõe o nascimento. Assim, chega ao dia 20 de outubro de 1805, quando nasceu. Defende um método de narrativa sem rigidez, comparando-o a uma eloquência natural e espontânea, e anuncia que vai falar daquele dia.

12. Capítulo X

No original: X

Brás Cubas conta que nasceu cercado pelos cuidados da parteira e pelas expectativas da família: o tio João via nele um olhar de Bonaparte, e o tio Ildefonso previa que seria cônego e talvez bispo. Seu pai dizia que ele seria o que Deus quisesse e se orgulhava de apresentá-lo aos outros. Batizado em 1806, na igreja de São Domingos, teve como padrinhos o coronel Rodrigues de Mattos e sua esposa, cujos nomes era levado a recitar diante das visitas. Ainda pequeno, começou a andar antes do tempo, apoiando-se nos móveis e seguindo o chocalho que a mãe agitava.

13. Capítulo XI

No original: XI

Brás Cubas recorda que, desde pequeno, era chamado de “menino diabo”: fazia maldades, maltratava Prudêncio e agia com egoísmo e voluntariedade. Seu pai o adorava e pouco o corrigia, enquanto a mãe, piedosa e sensível, tinha pouca influência sobre sua educação. O tio João o aproximava de conversas obscenas; já o tio cônego era austero e rigoroso nas formalidades religiosas, mas sem força para impor virtudes. Brás atribui sua formação também ao ambiente doméstico, marcado por caprichos, apego às aparências e frouxidão de vontade.

14. Um Episódio de 1814

No original: XII

Em 1814, quando Brás Cubas tinha nove anos, a notícia da queda de Napoleão provoca comemorações no Rio de Janeiro, e sua família oferece um jantar para celebrá-la. Durante a sobremesa, o doutor Villaça prolonga a refeição com glosas, enquanto Brás espera, sem sucesso, que lhe sirvam sua compota; irritado, é retirado da sala pela tia Emerenciana. Decidido a se vingar do glosador, Brás o segue até a chácara e o vê beijar D. Eusébia. Ele anuncia o beijo em voz alta, causando espanto entre os convidados; no dia seguinte, o pai o repreende rindo.

15. Capítulo XIV

No original: XIV

Aos dezessete anos, Brás Cubas se descreve como um jovem bonito, audaz e abastado. Entre as mulheres que o atraem, destaca Marcela, espanhola conhecida por sua beleza, luxo e gosto por dinheiro e rapazes; na época, ela estava apaixonada por Xavier. Brás a vê pela primeira vez durante as comemorações da declaração da independência e fica fascinado. Dias depois, vai com o tio a uma ceia na casa dela e, ao partir, volta para beijá-la à força antes de descer as escadas às pressas.

16. Um salto

No original: XIII

Brás Cubas salta os anos de escola, onde aprendeu as primeiras letras e também sofreu castigos, e recorda com saudade o mestre Ludgero Barata, que ensinava com a palmatória. Ludgero trabalhou por vinte e três anos numa escola modesta e morreu sem que quase ninguém o lamentasse. Quincas Borba, colega travesso e gracioso, pregava peças no mestre, matando baratas e deixando-as entre seus pertences; com o pajem, também escapava das aulas com Brás. Quincas gostava de representar figuras de autoridade nas brincadeiras, mas Brás interrompe a lembrança e salta para 1822, ano da independência do Brasil e de seu primeiro cativeiro pessoal.

17. Capítulo XV

No original: XV

Brás Cubas conta que levou trinta dias para conquistar Marcela, usando paciência e artifícios, e descreve o início da paixão como uma comoção intensa. Depois que Xavier deixou de dividir com ele a atenção de Marcela, Brás assumiu o lugar principal e gastou cada vez mais: recorreu ao dinheiro do pai e da mãe e até à herança futura. Marcela recebia joias e dinheiro, embora afirmasse que não vendia seus afetos; ao falar de um antigo amado e da possibilidade de uma separação, comoveu Brás, que no dia seguinte lhe levou o colar que ela recusara. Ela correspondia aos sacrifícios dele, atendendo com alegria a seus caprichos e desejos.

19. Capítulo XVII

No original: XVII

Depois de saber que Brás gastou onze contos de réis com Marcela, o pai decide mandá-lo à Europa para estudar. Brás propõe que ela o acompanhe, mas Marcela diz que não pode ir enquanto se lembrar do pai, morto por Napoleão; após uma discussão e uma tentativa frustrada de comovê-la, ele compra um pente de diamantes. Ao vê-lo enfeitado com a joia, Marcela aceita partir com Brás, que agradece de joelhos.

20. Capítulo XVIII

No original: XVIII

Depois de sair do corredor, Brás Cubas se sente feliz, embora reconheça que os diamantes recebidos por Marcela turvam sua alegria. Ao recordar o olhar dela, imagina-se como o namorado de uma história das Mil e Uma Noites perseguido e punido. Em seguida, vê três homens levarem-no numa sege, acompanhado pelo pai e pelo tio, primeiro à polícia e depois a uma galera com destino a Lisboa. Três dias após partir, abatido e silencioso, pensa fixamente em mergulhar no oceano enquanto repete o nome de Marcela.

21. Capítulo XIX

No original: XIX

A bordo, Brás Cubas tenta encontrar ocasião para morrer, mas o capitão o mantém por perto e o distrai recitando poemas de sua autoria. Uma tempestade e a agitação de um passageiro louco desviam Brás de seus pensamentos suicidas. Enquanto isso, a mulher do capitão, gravemente tísica, piora e morre; seu corpo é lançado ao mar. Para consolar o viúvo, Brás conversa com ele sobre poesia e promete ajudar a imprimir seus versos. O capitão compõe um epicédio para a esposa e, após receber elogios de Brás, considera-o sua obra mais acabada.

22. Capítulo XX

No original: XX

Ao ouvir falar em um grande futuro, Brás Cubas abandona os amores com Marcela e passa a ambicionar uma posição de destaque. Segue para Lisboa e depois para Coimbra, onde estuda sem grande empenho, mas obtém o grau de bacharel. Conhecido como folião e estudante superficial, recebe o diploma com orgulho e saudade, embora se sinta de algum modo enganado: o título lhe concede liberdade, mas também responsabilidade. Ao deixar Coimbra, sente curiosidade e vontade de influir, gozar e viver.

23. Capítulo XXI

No original: XXI

Brás Cubas cai do jumento quando o animal empaca, mas um almocreve consegue segurá-lo e evita que se machuque gravemente. Grato, Brás decide recompensá-lo com três moedas de ouro, mas, enquanto pensa no valor, reduz a oferta a uma moeda e acaba entregando apenas um cruzado de prata. Depois de seguir viagem, conclui que o almocreve agiu por impulso e por hábito, sem mérito especial, e que a ajuda fora quase obra da Providência. Arrepende-se de ter dado o cruzado e pensa que deveria ter oferecido apenas moedas de cobre.

24. Capítulo XXII

No original: XXII

Brás Cubas interrompe as reflexões sobre suas viagens e explica que não contará o que pensou ou fez na Europa, pois suas memórias registram apenas a substância da vida. Depois de alguns anos de peregrinação, volta ao Rio de Janeiro, atendendo às súplicas do pai, que teme que a mãe morra antes de revê-lo. Em Veneza, imerso em fantasias sobre a antiga República, ele deixa para trás a cidade e parte às pressas. Ao final, decide não alongar o capítulo.

25. Capítulo XXIII

No original: XXIII

Ao chegar à cidade natal, Brás Cubas sente renascer as lembranças da infância. A família o recebe consternada: sua mãe está gravemente doente, com câncer no estômago, e ele a reencontra após oito ou nove anos. Ela sabe que está perto do fim, e ele acompanha sua longa e cruel agonia. É a primeira vez que presencia a morte de alguém; diante do sofrimento da mãe, fica mudo e atônito, sem chorar.

26. Capítulo XXIV

No original: XXIV

Brás Cubas diz que ficou prostrado e reconhece que, até então, era trivial e presunçoso, sem jamais se deter nos problemas da vida e da morte. Afirma que refletia as opiniões de um cabeleireiro de Módena, homem sem opiniões próprias, e que da Universidade e de outras áreas guardou sobretudo fórmulas e aparência de conhecimento. Explica que expõe sua mediocridade com franqueza porque, depois da morte, já não se importa com o julgamento alheio. Para ele, o olhar da opinião perde o poder sobre os mortos.

27. Capítulo XXV

No original: XXV

Após a morte da mãe, Brás se retira para uma casa na Tijuca, apesar das tentativas do pai e da irmã de fazê-lo ficar. Passa dias isolado, entre leituras, caçadas e momentos de tristeza, até se cansar da solidão e decidir voltar à cidade. Ao fechar o baú, Prudêncio lhe diz que uma pessoa conhecida se mudou para uma casa próxima; perguntado por Brás, identifica D. Eusébia e a filha. Prudêncio acrescenta que D. Eusébia vestiu o corpo da mãe de Brás, e ele decide visitá-la.

28. Capítulo XXVI

No original: XXVI

O pai de Brás Cubas chega com duas propostas: um lugar de deputado e um casamento, além de recomendar que o filho agradeça a um dos Regentes pela carta de pêsames. Brás diz que não entende de política e, quanto à noiva, pede para viver como um urso; o pai insiste, argumentando a favor da carreira política e dizendo que basta o filho ver a moça para querer pedi-la em casamento. Aturdido e dividido, Brás não dá resposta definitiva e se distrai escrevendo palavras e versos num papel. Ao ver “Virgílio” entre os rabiscos, o pai revela que a noiva se chama Virgília.

29. Capítulo XXVII

No original: XXVII

Brás Cubas apresenta Virgília aos quinze ou dezesseis anos, descrevendo-a como bonita, atrevida, voluntariosa e pueril, com traços de preguiça e devoção — ou talvez medo. Diz que ela viria a influir muito em sua vida e se dirige a ela, afirmando que sua sinceridade ao retratá-la permanece a mesma. Em seguida, explica que a memória permite restaurar o passado, embora cada etapa da vida corrija as impressões anteriores, até a edição definitiva entregue aos vermes.

31. Capítulo XXIX

No original: XXIX

Brás Cubas aceita o diploma, o casamento com Virgília e a carreira na Câmara dos Deputados, deixando o pai satisfeito. Diz que descerá no dia seguinte e que primeiro visitará D. Eusébia, o que provoca uma reação silenciosa do pai. Naquela tarde, D. Eusébia o recebe com alegria, recorda sua mãe e pergunta sobre a viagem, os estudos e os namoros. Brás se lembra do episódio de 1814 envolvendo D. Eusébia, Vilaça, a moita e um beijo; então ouve uma porta ranger, saias farfalharem e alguém chamar: “Mamãe...”

33. Capítulo XXXI

No original: XXXI

No dia seguinte, uma borboleta negra entra no quarto de Brás Cubas, pousa em sua testa e depois no retrato de seu pai. Irritado com o movimento das asas, ele a golpeia com uma toalha; depois, com pena, leva-a à janela, onde ela morre. Brás imagina que a borboleta o julgara inventor de sua espécie e, ao ver o retrato, talvez reconhecesse nele o pai do inventor e voasse a pedir misericórdia ao retratado. Consola-se pensando que, mesmo se fosse azul ou alaranjada, poderia tê-la espetado com um alfinete; por fim, dá um piparote no cadáver, que cai no jardim.

34. Capítulo XXXII

No original: XXXII

Brás Cubas prepara-se para partir, mas aceita o convite de D. Eusébia para jantar em sua casa. Eugênia aparece com vestido simples, e ele observa sua graça e seus modos. Ao passearem pela chácara, Brás nota que ela coxeia e pergunta se machucou o pé; Eugênia responde que é coxa de nascença, deixando-o constrangido. Enquanto D. Eusébia lhe mostra a chácara, ele observa os olhos tranquilos e francos de Eugênia.

35. Capítulo XXXIII

No original: XXXIII

Brás Cubas não consegue parar de pensar no contraste entre a beleza de Eugênia e o fato de ela ser coxa. Embora as manhãs convidem a descer, ele fica na Tijuca junto dela, e os dois se aproximam enquanto D. Eusébia os vigia sem grande rigor. A pedido de Eugênia, Brás não desce no domingo e recebe dela o primeiro beijo, embora pense na origem da moça e na cena de 1814 com Vilaça. D. Eusébia entra, mas não os surpreende juntos; Eugênia disfarça com naturalidade, e a mãe nada suspeita.

36. Capítulo XXXIV

No original: XXXIV

O narrador imagina que uma leitora sensível esteja irritada com o capítulo anterior, preocupada com Eugênia e talvez o considere cínico. Ele rejeita a acusação e diz que foi homem, descrevendo o próprio cérebro como um palco onde se misturavam dramas, comédias, pensamentos nobres e baixos. Por fim, pede à leitora que retire a expressão, acalme os nervos e, depois de limpar os óculos, encerre com ele a história de Eugênia.

37. Capítulo XXXV

No original: XXXV

Oito dias depois, Brás Cubas decide descer da Tijuca, levado pela piedade que sente pela moça e pelo temor de amá-la e casar-se com ela. Ao anunciar que partirá na manhã seguinte, ela diz que ele faz bem em fugir ao ridículo de se casar com uma mulher coxa. Ele jura que continua a querer-lhe muito, mas ela não acredita e o encara com autoridade quando ele tenta retê-la. Brás desce um pouco amargurado e um pouco satisfeito, dizendo a si mesmo que deve obedecer ao pai e abraçar a carreira política.

38. Capítulo XXXVI

No original: XXXVI

Seu pai o recebe com ternura, mas Brás o deixa em suspenso para tirar as botas apertadas e desfrutar do alívio. Reflete que a dor torna mais intenso o prazer que vem depois e conclui que a vida aguça a fome para proporcionar o prazer de comer; para ele, a sabedoria humana não vale um par de botas curtas. Ao lembrar-se de Eugênia, imagina que o coração também logo se livraria de suas botas e, quatro ou cinco dias depois, sente um breve prazer após uma dor ou preocupação. Pensa que Eugênia, ao contrário, nunca as descalçou: atravessou a vida mancando da perna e do amor, até a outra margem, e ele questiona se sua existência era necessária ao século.

39. Capítulo XXXVII

No original: XXXVII

Brás Cubas pergunta ao pai se havia algum acordo para seu casamento. O pai explica que desejava vê-lo deputado e que imaginou o casamento com a filha do conselheiro Dutra como meio de favorecer sua candidatura. Na casa de Dutra, Brás conhece a mulher e a filha, que corresponde à descrição elogiosa do pai; os dois trocam um olhar que ele considera conjugal. Ao fim de um mês, já estavam íntimos.

40. XXXVIII

Convidado para jantar na casa de Dutra, Brás Cubas vai passear e, ao consultar o relógio, deixa cair o vidro. Entra numa loja para comprar outro e reconhece Marcela, envelhecida e marcada pela doença, que também o reconhece. Ela conta sobre sua vida, as perdas e a loja de ourivesaria que herdou; Brás recorda o passado e questiona os sacrifícios que fez por ela. Embora ele diga que irá a outra loja, Marcela manda um rapaz buscar o vidro e oferece-lhe joias a preços vantajosos, movida, segundo Brás suspeita, pela paixão do lucro.

42. Capítulo XL

No original: XL

Depois de receber o relógio com o vidro novo, Brás Cubas despede-se de Marcela e sai, com o coração dividido entre impressões opostas. O encontro com o passado contrasta com a alegria daquela manhã, quando o pai lhe repetira o discurso que faria na Câmara dos Deputados. Na sege, sente-se abatido e deseja escapar daquela espécie de garganta entre o passado e o presente, mas acredita que o veículo não avança. Ao perguntar ao boleeiro, descobre que já estão parados diante da casa do conselheiro.

45. Capítulo XLIII

No original: XLIII

Brás Cubas conta que Lobo Neves conquistou Virgília e recebeu apoio para a candidatura, derrotando-o em poucas semanas. Dutra aconselhou Brás a esperar, pois grandes influências apoiavam o rival, e ele cedeu. Ao ouvir Virgília perguntar quando Lobo Neves seria ministro e se a faria baronesa, ele prometeu torná-la marquesa. Brás sentiu-se perdido: Virgília escolheu a “águia”, enquanto ele ficou com o espanto, o despeito e alguns beijos.

46. Capítulo XLIV

No original: XLIV

O pai de Brás Cubas fica profundamente abalado com o desenlace que frustrou seus planos de ver o filho em posição elevada, repetindo, incrédulo, que ele era “um Cubas”. Brás passa a noite acordado por despeito, mas se recupera com charutos, leituras e a chegada da manhã. O pai, porém, permanece triste e preocupado; só demonstra alegria ao receber a visita de um ministro, mas logo volta ao desalento. Morre quatro meses depois, em maio, cercado pelos filhos, pelo tio Ildefonso e pelo cunhado, sem que os cuidados ou a ciência dos médicos pudessem salvá-lo.

47. Capítulo XLV

No original: XLV

Brás Cubas enumera os preparativos e ritos de um funeral, desde os soluços e a chegada dos convidados até o transporte do caixão no coche. Explica que essas anotações serviriam para um capítulo em que provaria que a Terra deve continuar girando em torno do Sol, começando pelo argumento de que a natureza não inventou a morte.

48. Capítulo XLVI

No original: XLVI

Oito dias após a morte do pai, Brás, Sabina e Cotrim discutem a divisão da herança. Cotrim contesta o valor da casa e disputa com Brás a sege, os trabalhadores escravizados e a prataria, que Sabina deseja para sua casa. As tentativas de conciliação fracassam, e as partilhas acabam sendo feitas com os irmãos brigados. Brás lamenta o rompimento com Sabina, de quem fora muito amigo.

49. Capítulo XLVII

No original: XLVII

Brás Cubas diz que, depois da morte do pai, viveu relações amorosas passageiras, das quais só guardou algumas iniciais e vestígios de perfume. Passou a maior parte do tempo recluso, entre períodos de agitação e apatia, ambição e desânimo. Escrevia sobre política e fazia literatura, conquistando alguma reputação como polemista e poeta. Ao pensar em Lobo Neves, já deputado, e em Virgília, futura marquesa, julgava que poderia ocupar posições melhores do que as dele.

50. Capítulo XLVIII

No original: XLVIII

Luís Dutra pergunta a Brás Cubas quem chegou de São Paulo. Primo de Virgília e poeta, Dutra precisava ouvir palavras de apreço para ganhar ânimo, mas era acanhado para pedi-las. Quando publicava algo, visitava Brás à espera de um julgamento; Brás desviava a conversa para outros assuntos e evitava comentar seus versos ou prosas. Sua intenção era fazê-lo duvidar de si, desanimá-lo e eliminá-lo.

51. Capítulo XLIX

No original: XLIX

O narrador rejeita a explicação de que o nariz serve para apoiar os óculos e afirma que sua contemplação permite ao indivíduo afastar-se das coisas externas e ver a luz celeste. Essa faculdade seria universal: ao subordinar o universo a si mesmo, cada pessoa contribuiria para o equilíbrio da sociedade. Como exemplo, descreve o chapeleiro que, ao comparar sua loja à de um rival, fixa os olhos na ponta do nariz enquanto medita sobre a própria desvantagem. Conclui que o amor multiplica a espécie, enquanto o nariz subordina o universo ao indivíduo.

52. L

Luís Dutra conta a Brás Cubas que Virgília, sua prima, lhe revelara que Brás quisera casar-se com ela. No dia seguinte, Brás a vê na Rua do Ouvidor, muito mudada, acompanhada do marido, Lobo Neves. Depois de se encontrarem em bailes, os dois conversam e valsam; Brás sente-se atraído por ela. Em uma reunião íntima na casa de Lobo Neves, valsam novamente, e Brás aperta a mão de Virgília e a abraça, enquanto os convidados dançam ao redor.

53. Capítulo LI

No original: LI

Depois de repetir para si mesmo «É minha!» ao passar uma mulher a outro cavalheiro, Brás Cubas encontra uma meia-dobra na rua e a guarda. No dia seguinte, sente remorso por ficar com uma moeda que não lhe pertence e a envia ao chefe de polícia, pedindo que a devolva ao dono. Aliviado, imagina a própria consciência como uma janela aberta para a moral e se contempla como um homem bom e talvez grande. A partir disso, formula a «lei da equivalência das janelas»: fechar uma janela deve ser compensado pela abertura de outra.

54. LII

A caminho de Botafogo, Brás encontra um embrulho na praia, leva-o para casa e descobre dentro cinco contos de réis. Embora pense nos riscos de ficar com o dinheiro, convence-se de que o achado não é crime e imagina empregá-lo em alguma boa ação. Numa recepção na casa de Lobo Neves, o chefe de polícia recorda a carta e a meia dobra que Brás lhe enviara alguns dias antes. Três semanas depois de encontrar o embrulho, Brás leva o dinheiro ao Banco do Brasil, onde fazem alusões ao episódio da meia dobra.

55. Capítulo LIII

No original: LIII

Virgília já não se lembrava da meia dobra e dizia estar inteiramente concentrada em Brás Cubas, o que era verdade. O amor entre os dois cresceu depressa e culminou, certa noite, num beijo trêmulo, dado por ela ao portão da chácara. Esse beijo os uniu e iniciou uma relação marcada por delícias, terrores, remorsos, prazeres seguidos de dor, alegrias e aflições. Uma hipocrisia paciente servia de freio à paixão, que alternava agitações, cóleras, desesperos e ciúmes com momentos de satisfação, até que o fastio e a saciedade viessem à tona.

56. Capítulo LIV

No original: LIV

Depois de sair dali saboreando o beijo, Brás Cubas não consegue dormir. Em outras noites, o tique-taque do relógio lhe fazia imaginar um diabo contando os instantes que passavam da vida para a morte; dessa vez, porém, sente prazer e conta os minutos como ganhos. Seu pensamento escapa pela janela e vai até a casa de Virgília, onde encontra o pensamento dela no peitoril. Enquanto os dois repousam na cama, seus pensamentos vadios ficam conversando, repetindo o velho diálogo de Adão e Eva.

57. Capítulo LVI

No original: LVI

Brás Cubas se pergunta por que ele e Virgília não sentiram paixão quando cogitaram casar-se, mas, anos depois, passaram a amar-se com delírio. Conclui que a diferença foi o momento oportuno: embora ambos já pudessem amar, ainda não estavam prontos para aquele amor. Dois anos após o beijo, ao ouvir Virgília chamar de importuno um homem que a galanteava, Brás percebe que também poderia ter provocado nela a mesma reação no passado e entende que evoluíra de importuno a oportuno.

58. Capítulo LVII

No original: LVII

Brás Cubas afirma que ele e Virgília se amavam justamente quando as leis sociais os impediam, e compara os dois a animais jungidos, embora os considere mais astutos e lascivos que bois. Sem saber aonde os caminhos secretos os levariam, entrega a situação ao destino. Virgília diz que o ama e atribui esse amor à vontade do céu; ela também confessa ter momentos de remorso. O narrador descreve sua religiosidade discreta: ela rezava à noite e durante as trovoadas, mas ocultava o oratório das amigas e chamava de beatas as mulheres muito religiosas.

59. Capítulo LVIII

No original: LVIII

Brás Cubas percebe que Lobo Neves, embora adore Virgília e a descreva como perfeita, sente falta de glória pública. Em confidência, Lobo Neves conta seus desgostos com a vida política, marcada, segundo ele, por invejas, intrigas, interesses e vaidades, e diz que a constância e a gratidão não existem. Depois de desabafar, pede a Brás que guarde segredo. Quando chegam dois deputados e um chefe político, Lobo Neves logo retoma a conversa animada e parece o mais afortunado dos homens.

60. Capítulo LIX

No original: LIX

Ao sair da casa de Lobo Neves, Brás Cubas vê um antigo colega que se tornou ministro e passa a imaginar por que não poderia ocupar o mesmo cargo, pensando também que Virgília gostaria da ideia. No Passeio Público, reencontra Quincas Borba, agora maltrapilho e mendigo, que conta viver na miséria e estar sem comer. Brás lhe dá cinco mil-réis; Quincas celebra a nota, mas recusa a sugestão de trabalhar. Quando Brás se prepara para ir embora, Quincas o detém para ensinar sua filosofia da miséria.

61. Capítulo LX

No original: LX

Brás Cubas pensa que Quincas Borba está louco, mas logo percebe que ele cobiça o brilhante em seu dedo. Borba observa suas roupas e sapatos, pergunta se está casado e pede que, caso se encontrem novamente, lhe dê outra nota de cinco mil-réis, sem que precise ir à casa dele. Ao se despedir, abraça Brás Cubas com força; este se afasta aborrecido e triste, comparando o homem de agora ao de outrora. Depois, percebe que Borba lhe furtou o relógio durante o abraço.

62. Capítulo LXI

No original: LXI

Brás Cubas janta triste: não pela falta do relógio, mas pela imagem de quem o furtou e pelas lembranças da infância, despertadas pelo encontro com Quincas Borba. Para escapar ao peso do passado, apressa-se a ir à casa de Virgília, mas, como ainda é cedo, decide procurar Quincas no Passeio Público. Não o encontra; um guarda diz que ele aparece por lá sem hora certa. Brás promete voltar e sente crescer em si a necessidade de regenerá-lo, fazê-lo trabalhar e recuperar o respeito por si mesmo. Com a chegada da noite, vai à casa de Virgília.

63. O Travesseiro

No original: LXII

Brás Cubas vai ter com Virgília e, em cinco minutos de contemplação mútua, mãos dadas e um beijo, esquece completamente Quincas Borba. Ele compara Virgília a um travesseiro macio e perfumado, onde repousa das sensações desagradáveis. Ao fim, afirma que pode fechar os próprios olhos e dormir, indiferente à lembrança de Quincas Borba.

64. Fujamos!

No original: LXIII

Três semanas depois, Brás encontra Virgília abatida e desconfiada de que Lobo Neves suspeita do relacionamento; ela conta que sonhou que o marido a mataria. Brás propõe que fujam para viver juntos, mas Virgília teme que Lobo Neves a encontre e a mate, lembrando que ele gosta muito dela. Quando o marido chega, Brás disfarça; Lobo Neves anuncia que conseguiu um camarote para a ópera e convida Brás para jantar. Irritado com Virgília, Brás bebe mais do que de costume e vai embora logo após a refeição.

65. A Transação

No original: LXIV

Depois de passar a noite com ciúmes, Brás visita Virgília e a encontra chorando, pois ela acredita que ele deixou de amá-la. Ele explica que sente ciúmes do marido dela e propõe que os dois se mudem para uma casa isolada. Virgília considera a ideia, mas diz que não pode abandonar o filho, que iria procurá-la. Após Brás pedir perdão e acalmá-la, os dois voltam a conversar sobre a casa.

66. Capítulo LXV

No original: LXV

A visita inesperada da baronesa interrompe Brás Cubas e Virgília; ela demonstra alvoroço, pergunta por que ele não foi ao teatro e o convida para sábado, enquanto Virgília decide recebê-la. Ao sair, Brás se arrepende, pois a baronesa desconfiava dos dois e tinha o hábito de observar e escutar atentamente as pessoas. Ele também teme a vigilância de Viegas, parente avaro de Virgília, e de Luiz Dutra, a quem procura agradar falando de seus escritos. Junto de outras pessoas da casa e das visitas, todos formavam uma rede de olheiros e escutas que Brás e Virgília precisavam evitar com cautela.

67. Capítulo LXVI

No original: LXVI

Enquanto pensava em certas pessoas, Brás Cubas percebe que suas pernas o levaram, sem que ele deliberasse, até a porta do hotel Pharoux, onde costumava jantar. Ele atribui a elas o mérito de conduzi-lo, e não a si mesmo, e confessa que antes as desprezava quando se cansavam ou não o levavam tão longe quanto desejava. Reconhece então que as pernas deixaram sua cabeça livre para pensar em Virgília e, ao mesmo tempo, o guiaram com segurança até o hotel. Por isso, decide imortalizá-las naquela página.

68. Capítulo LXVII

No original: LXVII

Brás Cubas recebe, dentro de uma caixa de charutos enviada por Lobo Neves, um bilhete de Virgília dizendo que desconfiam deles e que não devem mais se ver. Apesar disso, ele vai encontrá-la; ela conta que a baronesa revelou os comentários e as suspeitas sobre a relação dos dois. Brás sugere que fujam, mas Virgília recusa, pois não quer abrir mão da consideração pública. Dias depois, ele encontra uma casa preparada na Gamboa, onde uma conhecida dela iria morar. Brás imagina a casa como um espaço exclusivo para o casal, longe das convenções e dos olhares alheios.

69. O Vergalho

No original: LXVIII

Ao sair do Valongo, Brás Cubas vê Prudêncio, antigo moleque de sua família, açoitando um homem escravizado. Prudêncio diz que o homem é vadio e bêbado; a pedido de Brás, perdoa-o e manda-o entrar em casa. Brás recorda que, quando criança, montava Prudêncio e o espancava. Depois, conclui que Prudêncio, agora livre e dono de um escravo, descontava nele as pancadas que recebera.

72. Capítulo LXXI

No original: LXXI

Brás Cubas diz que começa a se arrepender do livro, embora escrevê-lo o distraia da eternidade. Considera-o enfadonho e de aspecto fúnebre, mas afirma que seu maior defeito é o leitor, impaciente e afeito a narrativas diretas e estilos regulares. Compara seu estilo a um bêbado que muda de direção, para, resmunga, ri e cai. Em seguida, imagina as folhas do livro caindo e observa que a morte impede tanto o riso quanto o choro.

73. Capítulo LXXII

No original: LXXII

O narrador cogita suprimir o capítulo anterior por causa de uma frase que poderia parecer um despropósito e alimentar a crítica futura. Imagina, setenta anos depois, um bibliômano que encontra por acaso um exemplar único de suas Memórias e se dedica a decifrar a frase obscura, sem sucesso. O homem daria esse livro, por ser único, acima de coroas, papados e museus, mesmo que fosse outro título. Por fim, contente com a posse do volume, fecha a janela sem se importar com um César ou Cromwell que passa a caminho do poder e folheia o livro com amor.

74. História de D. Plácida

No original: LXXIV

D. Plácida conta que, após perder o pai ainda criança, trabalhou fazendo doces. Viúva aos pouco mais de vinte anos, sustentou a filha e a mãe com doces, costuras e aulas, resistindo a pretendentes porque queria se casar. Depois que a filha fugiu com um homem e a mãe morreu, conheceu a família de Yayá, que lhe deu trabalho e chegou a lhe dar casa; viveu agregada por mais de um ano, costurando, e saiu quando Yayá se casou. Ao recordar sua vida difícil e o medo de acabar na rua, D. Plácida se arrepende de ter contado sua história ao amante de uma mulher casada.

75. Capítulo LXXIII

No original: LXXIII

Brás Cubas diz que seu estilo, cheio de interrupções, se parecia com os almoços que fazia com Virgília na casinha da Gamboa. Entre vinho, frutas e compotas, a refeição era acompanhada de palavras carinhosas, olhares e, às vezes, pequenos arrufos, após os quais o casal retomava a conversa. D. Plácida era convidada a sentar-se com eles, mas nunca aceitava. Quando Virgília perguntou se ela já não gostava mais dela, D. Plácida protestou, emocionou-se e recebeu as carícias de Virgília; Brás Cubas deixou uma moeda no bolso do vestido da mulher.

76. Capítulo LXXV

No original: LXXV

Depois que D. Plácida sai da sala, Brás Cubas imagina a origem dela: filha de um sacristão da Sé e de uma mulher que trabalhava com ele. Pensa que, se pudesse falar ao nascer, ela perguntaria aos pais por que a chamaram ao mundo. Na imaginação de Brás Cubas, eles responderiam que a destinaram a uma vida de trabalho, fome, doença e sofrimento, até acabar na lama ou no hospital.

77. Capítulo LXXVI

No original: LXXVI

A consciência acusa Brás Cubas de ter levado D. Plácida, depois de uma vida de trabalho e privações, a aceitar o papel de medianeira, aproveitando-se da fascinação por Virgília, da gratidão e da necessidade dela. Ele reconhece a resistência e o sofrimento de D. Plácida, mas alega que agora a protege da mendicidade. Conclui que, sem seus amores, ela talvez tivesse destino semelhante ao de muitas outras pessoas e que o vício pode ser o estrume da virtude, embora esta continue a ser uma flor cheirosa e sã. A consciência concorda, e ele vai abrir a porta a Virgília.

78. Capítulo LXXVII

No original: LXXVII

Virgília chega tranquila e risonha; Brás recorda que, no início do caso, as entrevistas eram cercadas de sustos e vergonha, mas agora tinham se tornado regulares, embora o amor permanecesse intenso. Ela reclama que ele não foi visitá-la na véspera, como prometera. Brás explica que faltou por ciúmes, depois de vê-la valsar duas vezes com um homem que a cortejava. Virgília reage com espanto e ternura, brinca com ele, e os dois acabam rindo.

79. Capítulo LXXVIII

No original: LXXVIII

Meses depois, Lobo Neves anuncia que talvez ocupe a presidência de uma província, e Virgília demonstra repugnância à ideia. Ele insiste que não pode recusar, invocando as necessidades políticas e a ambição de tornar a mulher marquesa; Virgília conta a Brás, que propõe desfazer o projeto, mas ela diz que é impossível. Brás afirma que a felicidade dele está nas mãos dela e sai, embora quase volte ao ouvir Virgília chorar.

80. Capítulo LXXIX

No original: LXXIX

Brás Cubas relata a indecisão entre ir à casa de Virgília por piedade e ficar, deixando que ela resolvesse sozinha o problema, por egoísmo. Temia que, ao vê-la, acabasse compartilhando a responsabilidade da decisão, embora desejasse encontrá-la. Por fim, decide visitá-la somente em casa, diante do marido, e não lhe dizer nada, esperando o efeito de sua intimação. Ao refletir, suspeita que sua piedade e a vontade de consolá-la eram formas de egoísmo e compara seu compromisso ao gato que, segundo uma observação que leu, afaga a si mesmo ao se esfregar em alguém.

81. Capítulo LXXX

No original: LXXX

Na noite seguinte, Brás Cubas vai à casa de Lobo Neves, que está alegre e lhe conta seus planos para a presidência, enquanto Virgília, triste, o observa com ansiedade. Lobo diz que ainda não encontrou secretário e convida Brás a acompanhá-lo ao norte nessa função. Brás desconfia por um instante de alguma intenção oculta, mas não percebe nada no comportamento de Lobo Neves. Ao notar que Virgília também parece pedir que aceite, Brás concorda.

82. Capítulo LXXXI

No original: LXXXI

Ao sair, Brás Cubas ainda duvida se aceitar a nomeação não exporia a reputação de Virgília, mas no dia seguinte decide aceitá-la. Sabina aparece para propor que façam as pazes, e os irmãos se reconciliam, conversando com afeto sobre a família. Brás conhece a sobrinha, Sára, e abraça Cotrim; logo os dois voltam a conversar como velhos amigos, sem mencionar a briga passada. Cotrim e Sabina tentam dissuadi-lo de viajar para o Norte, e Sabina diz que ele precisa casar e lhe dar uma sobrinha.

83. Capítulo LXXXII

No original: LXXXII

Brás Cubas sente-se feliz ao ver Sabina, o marido e a filha partirem, pois ama Virgília, tem a confiança do marido dela e está reconciliado com os seus. No mesmo dia, espalha que talvez vá para o norte como secretário de província, e as pessoas fazem alusões ao caso amoroso. Em casa de Sabina, Garcez brinca com a semelhança entre os nomes Virgílio e Virgília, deixando Sabina apreensiva. Brás percebe que as alusões já não o irritam: sente prazer com elas e compara a mudança a uma flor que desabrocha.

84. Capítulo LXXXIII

No original: LXXXIII

Cotrim aconselha Brás Cubas a não viajar para a província, pois a relação com Virgília poderia virar escândalo político e ser explorada pelos jornais. Embora esteja pronto para partir, Brás fica dividido entre embarcar e permanecer com ela. No dia seguinte, lê que ele e Lobo Neves foram nomeados, respectivamente, secretário e presidente da província, e vai contar a notícia a Virgília. Ela explica que o marido recusará a nomeação porque o decreto tem a data 13, número que ele considera fatídico; assim, os dois não precisarão partir.

86. Capítulo LXXXV

No original: LXXXV

Depois de escapar ao perigo de uma possível separação, Brás Cubas e Virgília passam a amar-se com mais ardor. Nos primeiros dias, imaginam a dor que sentiriam caso fossem separados e se abraçam para afastar esse temor. Eles reatam a aventura, e Brás considera que aquele foi o ponto máximo do amor dos dois. Após algum tempo, porém, começam a descer a encosta, com as mãos dadas ou soltas.

89. Capítulo LXXXVIII

No original: LXXXVIII

O narrador refuta os argumentos de um homem que defendia uma doutrina perniciosa. Virgília, porém, trata com grande deferência o velho parente Viegas, na esperança de receber parte de sua herança, e o narrador observa que a lisonja feminina se confunde com afeto. Ela cuida do enfermo, acometido de asma, e o acompanha em jogos e passeios; o menino também o visita e recebe pastilhas. Nas conversas, Viegas fala de assuntos familiares e da casa moderna que planeja construir.

90. In Extremis

No original: LXXXIX

Viegas, gravemente enfermo, negocia a venda de sua casa enquanto Virgília e Brás Cubas o visitam. Ele recusa propostas de trinta e, depois, trinta e seis contos, e insiste em receber quarenta, apoiando-se nas contas das despesas da construção. O comprador eleva a oferta a trinta e oito contos, mas Viegas morre após um último acesso de tosse. Só depois da morte, o comprador confessa que pretendia oferecer quarenta contos.

91. Capítulo XC

No original: XC

Virgília conta a Brás Cubas que o falecido Viegas não deixou lembrança testamentária alguma. Ele sugere que esqueçam o morto e se alegrem com o filho, revelando que já suspeitava da gravidez. Brás passa a pensar exclusivamente no embrião, que imagina em muitas idades e situações, de bebê a deputado. Absorvido nesse diálogo silencioso com o filho, às vezes se esquece de Virgília, que o repreende por seu silêncio.

93. Capítulo XCII

No original: XCII

Brás Cubas recebe a visita de Damasceno, cunhado de Cotrim, que lhe entrega um convite para jantar. Em poucos minutos, Damasceno conta que participou da revolução de 1831, critica o Regente e os ministros e defende um despotismo temperado, o tráfico de africanos e a expulsão dos ingleses. Fala também de óperas e teatros, das saudades do Rio de Janeiro e de seu patriotismo, lembrando que descende de um capitão-mor. Ao partir, diz que simpatizava com Brás Cubas, elogia o pai dele e promete conversar mais tarde; Brás o acompanha até a porta e, quando ele sai, fecha-a aliviado.

94. Capítulo XCIII

No original: XCIII

Brás Cubas considera o jantar um suplício, embora Sabina o faça sentar ao lado de Nhã-lóló, filha de Damasceno. Ele acha a moça graciosa e elogia seus olhos, mas, depois de ouvi-la cantar, esquiva-se. Sabina pergunta o que achou dela e afirma que seria uma boa noiva, insistindo que ele acabará se casando com a jovem. Desconsolado com a ideia, Brás Cubas se despede de Sabina e vai à casa de Lobo Neves.

97. Capítulo XCVI

No original: XCVI

Brás Cubas encontra Lobo Neves, que recebe uma carta anônima, empalidece e passa a tratá-lo com frieza. Dias depois, Virgília conta que a carta denunciava a intimidade dos dois; ela negou a acusação e disse que deixaria de receber Brás para evitar suspeitas. O narrador se perturba com a tranquilidade e a falta de remorso de Virgília, que lhe diz que ele não merece os sacrifícios que ela faz. Ele a beija na testa, mas ela recua como se o beijo fosse de um defunto.

99. Capítulo XCVIII

No original: XCVIII

Depois de se separar alegremente de Virgília, Brás janta reconciliado com a situação e considera que a carta anônima devolveu mistério e perigo à aventura. À noite, no teatro, encontra Damasceno e sua família; Nhã-loló está elegantemente vestida e lhe parece mais bonita do que antes. Ao observá-la, Brás reflete sobre o efeito das roupas nos desejos e na civilização, e sente nela uma mistura de anjo e fera. Por considerar perigoso o rumo de suas reflexões, pensa em suprimir o capítulo.

101. Capítulo C

No original: C

O narrador propõe, como hipótese, que fatos da vida pública e da vida particular exercem influência recíproca, talvez periódica, comparando essa relação às marés. Recorda que Lobo Neves recusou a presidência de uma província por causa da data 13 no decreto, e que essa aversão a um número provocou sua dissidência política. Em seguida, informa que, quatro meses após o encontro no teatro, Lobo Neves se reconciliou com o ministério, sem ainda descrever o efeito desse ato político em sua vida particular.

102. Capítulo CI

No original: CI

Virgília conta a Brás Cubas que o marido mudou de posição política, e ele brinca que, dessa vez, ela será baronesa. Embora ela disfarce a indiferença, Brás percebe nela gosto e esperança pela distinção. Ele recorda que Virgília se encantara com um conde da legação da Dalmácia, até que uma revolução derrubou o governo e afastou os diplomatas. Enquanto os jornais relatavam a violência e o sofrimento, Brás sentia alívio por ver eliminado o rival, que lhe parecia uma pequena pedra no sapato.

105. Era Ele!

No original: CIV

Às três horas, Brás devolve o grampo a Virgília e se prepara para sair. D. Plácida avisa que Lobo Neves está chegando, e Virgília, assustada, esconde Brás na alcova. O marido entra calmo e pálido, dizendo que passava por ali e veio cumprimentar D. Plácida; Virgília disfarça a tensão e se arruma para ir embora com ele. Brás observa os dois pelo buraco da fechadura.

107. Capítulo CVI

No original: CVI

Depois de Virgília sair, Brás Cubas reflete sobre o que o marido dela poderia fazer e considera que teria sido pior mantê-la escondida. D. Plácida se oferece para ir à casa de Lobo Neves, prometendo não entrar se ele estiver lá. Enquanto espera, Brás Cubas pensa que está envolvido num jogo perigoso e sente saudade da ideia de se casar. Imagina uma vida serena ao lado de uma mulher, com um bebê e uma casa numa chácara.

109. Capítulo CVIII

No original: CVIII

Brás Cubas descreve um bilhete escrito às pressas, que considera um documento de análise, mas não pretende interpretá-lo para o leitor. Ele afirma tê-lo lido várias vezes naquele dia e novamente no seguinte. Ao recordar a comoção que sentiu, não consegue definir se era medo, dó, vaidade ou amor; sua experiência lhe parece uma mistura complexa e vaga, que nem ele próprio entendeu.

110. O Filósofo

No original: CIX

Depois de reler a carta de Virgília, Brás almoça frugalmente e recebe a visita de Quincas Borba, que afirma que o Humanitismo não exige frugalidade e pode acomodar os prazeres da vida. Quincas está bem vestido, recuperou a sonoridade da voz e herdou dinheiro de um tio. Enquanto ouve sua longa narrativa, Brás se sente dividido entre as lembranças de Quincas, o bilhete de Virgília e o episódio do Passeio Público; admira a observação com que o filósofo descreve a gestação e o crescimento do vício. Quincas oferece-se para expor sua filosofia, mas Brás pede que ele volte outro dia. Ao sair, Quincas o convida a aderir ao Humanitismo, que compara a um mar de onde extraiu a verdade.

112. Capítulo CXI

No original: CXI

Ao encontrar um bilhete de Virgília que o convidava à chácara e dizia que o muro era baixo, Brás Cubas hesita, temendo o escândalo e ser preso, mas decide ir. D. Plácida esclarece que achou o papel naquela manhã na gaveta dele. Brás percebe então que se trata de um antigo bilhete de Virgília, recebido no começo do relacionamento, para um encontro em que ele de fato saltou o muro. Ele guarda o papel, tomado por uma sensação que considera esquisita.

113. Capítulo CXII

No original: CXII

Brás Cubas encontra Lobo Neves na rua, e este se afasta após cumprimentá-lo, aparentando retraimento. O narrador supõe que Lobo Neves teme a opinião pública, que o impediria de separar-se da mulher e de divulgar o caso; por isso, ele simula continuar ignorando o que ocorrera. Brás Cubas acredita que o tempo apagaria as lembranças, enquanto o filho cresceria para herdar os afetos e as ambições do pai, encerrando-se a vida de Lobo Neves sem escândalo.

116. Capítulo CXV

No original: CXV

Brás Cubas não vê a mulher partir, mas, na hora marcada, sente alívio e saudade em partes iguais. Em vez de se desesperar ou deixar de comer, almoça como de costume, recordando a aventura e apreciando os acepipes de Mr. Pruddon, cozinheiro do hotel Pharoux. A refeição, especialmente deliciosa e cara, parece acompanhar a catástrofe amorosa. Enquanto os amores se afastam no espaço e no tempo, ele permanece à mesa, aos quarenta e tantos anos, consciente de que a mulher poderia voltar, mas não o encanto daquela manhã.

117. Capítulo CXVI

No original: CXVI

Após a partida de Virgília, Brás Cubas passa os primeiros dias isolado, devaneando e observando moscas, sem se abalar com a morte do tio cônego e de dois primos nem com o nascimento da sobrinha Venância. Em outros momentos, abre cartas antigas e, ao lê-las, recompõe o passado. Ele aconselha o leitor a guardar as cartas da juventude, pois elas permitem reencontrar a si mesmo e cantar uma saudade.

118. Capítulo CXVII

No original: CXVII

Sabina encaminha com impetuosidade o casamento de Brás Cubas com Nhã-loló, enquanto Quincas Borba lhe apresenta o Humanitismo, sistema que toma Humanitas como princípio universal repartido em todos os homens. Segundo a doutrina, a luta, a inveja, a guerra e até a fome são manifestações dessa substância, e a dor é uma ilusão que a compreensão do sistema poderia superar ao longo de milhares de anos. Quincas explica que o frango que come resulta de muitos esforços e lutas e lê a Brás Cubas sua obra, que propõe uma sociedade em que os sofrimentos não impediriam a felicidade humana. Ao concluir, afirma que Pangloss não era tão tolo como Voltaire o retratou.

119. Capítulo CXVIII

No original: CXVIII

A terceira força que atraía Brás Cubas ao movimento era a impaciência de brilhar e, sobretudo, a incapacidade de viver sozinho. Ele se sentia atraído pela multidão, pelos aplausos, pela gala e pelo tumulto. Imagina que, se a ideia do emplasto lhe tivesse ocorrido naquele tempo, talvez não tivesse morrido logo e se tornasse célebre; mas o que veio foi o desejo de se agitar em alguma coisa, com alguma coisa e por alguma coisa. Embora cite a máxima de La Bruyère sobre a dificuldade de ficar só, considera-a um disparate e enumera a sociabilidade, a curiosidade, a pontualidade nos pagamentos e o valor militar entre as virtudes humanas.

120. Capítulo CXIX

No original: CXIX

O narrador antecipa uma possível acusação de que sua opinião sobre La Bruyère se deve à inveja e transcreve máximas que compôs, mas rasgou por não as julgar dignas de publicação. Diz que as escreveu num período de enfado e apresenta reflexões sobre suportar a dor alheia, o tempo, o uso de carruagens, a confiança em si e nos outros, o adorno de um botocudo e a ingratidão diante de um benefício.

121. Capítulo CXX

No original: CXX

Sabina insiste que Brás Cubas deve se casar, e a ideia de permanecer sem filhos o abala. Ele conclui que precisa ser pai e aceita até a aliança com Damasceno. Ao contar a Quincas Borba o desejo de paternidade, recebe dele incentivo ao casamento: o filósofo afirma que Humanitas se agita em seu seio e interpreta o preceito “Compelle intrare” como prenúncio do Humanitismo.

122. Capítulo CXXI

No original: CXXI

Após três meses, Brás Cubas vê o casamento com Nhã-loló cada vez mais próximo, embora ainda se lembre de Virgília. Ao descer o morro com ela e Damasceno, encontra uma briga de galos que absorve completamente o pai da moça. Sob o sol forte, Brás abre o guarda-sol e imagina que os anos lhe caem pelo morro abaixo, ficando com apenas vinte anos. No sopé, observa os apostadores comemorarem e comentarem a luta, enquanto ele e Nhã-loló seguem vexados.

123. Capítulo CXXII

No original: CXXII

Nhã-loló se incomodava com a intimidade do pai com os apostadores, pois temia que Brás Cubas o considerasse indigno como sogro. Ela observava e imitava os modos elegantes para aproximar-se de Brás Cubas e ocultar a inferioridade da família. Quando o pai se expôs ainda mais, ela ficou profundamente abatida. Brás tentou distraí-la sem sucesso e interpretou sua tristeza como uma tentativa de separar, em seu pensamento, a causa dela da causa do pai. Considerou esse sentimento uma afinidade entre os dois e decidiu afastá-la daquele ambiente.

124. Capítulo CXXIII

No original: CXXIII

Brás Cubas consulta Cotrim antes de tratar do casamento com Nhã-loló. Cotrim diz que considera necessário casar, sobretudo por ambições políticas, mas se recusa a aconselhar sobre a sobrinha, embora reconheça as qualidades dos dois; afirma que, se consultado, seria contrário à união. Brás Cubas depois reconhece que foi injusto com o cunhado e o descreve como honrado, apesar das acusações de avareza e crueldade com escravos. Para defendê-lo, menciona seu amor aos filhos, a participação em irmandades e as ações beneficentes que divulgava nos jornais; conclui que Cotrim podia dever favores, mas não dinheiro.

125. Capítulo CXXIV

No original: CXXIV

Brás Cubas explica que intercala um capítulo entre a vida e a morte para evitar que o leitor passe de repente de um retrato a um epitáfio. Em seguida, conta que, numa conversa parlamentar sobre os negócios do Rio da Prata, defendeu que os bons soldados eram o nervo da guerra, não o dinheiro. Quando revelou que a ideia era de Maquiavel, os ouvintes passaram a demonstrar grande interesse e pediram que ele a repetisse. Brás Cubas diz que apreciou a reação porque sempre gostou de ideias justas e, então, anuncia que seguirá para o epitáfio.

126. Capítulo CXXVI

No original: CXXVI

Nhã-loló morre durante a primeira epidemia de febre amarela, e Brás Cubas a acompanha ao jazigo sem chorar, concluindo que talvez não a amasse de verdade. Quincas Borba explica que as epidemias, apesar de matarem indivíduos, seriam úteis à espécie por favorecerem a sobrevivência da maioria. Damasceno fica inconsolável e lamenta que poucos amigos tenham acompanhado o enterro da filha, apesar de ter enviado oitenta convites. Cotrim argumenta que muitos teriam comparecido apenas por formalidade, mas Damasceno insiste: «Mas viessem!».

128. Capítulo CXXVIII

No original: CXXVIII

Dois anos depois das palavras de Damasceno, Brás Cubas vê a gravura turca na Câmara dos Deputados, onde também é deputado. Enquanto um parlamentar discute um parecer da comissão de orçamento, ele se recosta entre um colega que conta uma anedota e outro que desenha o perfil do orador numa sobrecarta. O orador é Lobo Neves, reencontrado por Brás como se ambos tivessem sido trazidos à mesma praia pela vida. Lobo Neves contém o ressentimento, enquanto Brás diz que não contém o remorso — nem nada, exceto a ambição de ser ministro.

129. Sem Remorsos

No original: CXXIX

O narrador afirma que não sentia remorsos e imagina que, se tivesse instrumentos químicos, analisaria essa emoção para explicar as atitudes de Aquiles e lady Macbeth. Sem tais instrumentos, diz que desejava ser ministro de Estado. Afirma que preferiria ser Aquiles, arrastando o cadáver do adversário, a ser lady Macbeth, atormentada pela mancha de sangue. No fim, esclarece que não ouvia as súplicas de Príamo, mas o discurso de Lobo Neves, e que continuava sem remorsos.

130. Capítulo CXXX

No original: CXXX

Em 1855, depois de assumir a presidência, Brás Cubas reencontra Virgília num baile. Ela usa um vestido azul e, embora já não tenha o frescor da juventude, ainda está formosa. Os dois conversam longamente sem mencionar o passado, que fica subentendido em palavras vagas e olhares. Ao vê-la descer as escadas, Brás murmura: “Magnífica!”

131. Capítulo CXXXI

No original: CXXXI

Ao encontrar um antigo companheiro, oficial de marinha, Brás Cubas troca com ele comentários sobre recordações amorosas e admite que sua resposta foi indiscreta. A partir disso, contesta a fama de que as mulheres são indiscretas: segundo ele, os homens tendem a exibir suas aventuras por vaidade, enquanto as mulheres dissimulam por julgarem que infringiram um dever. Conclui que, no amor, elas são um verdadeiro sepulcro, embora as aventuras acabem sendo descobertas, como sugere a metáfora atribuída à rainha de Navarra.

133. Capítulo CXXXIV

No original: CXXXIV

Quando Virgília descia a escada e o oficial de marinha tocou seu ombro, Brás Cubas tinha cinquenta anos e sentiu que uma parte importante de sua vida se encerrava. Embora considere que a parte restante talvez fosse a melhor, confessa ter ficado triste após a saída de Virgília. Para se reanimar, voltou ao baile e se deixou envolver pela música, pelas luzes e pelas conversas, mas, ao sair de madrugada, sentiu que sua idade o esperava no fundo do carro. Então imaginou ouvir um morcego dizer que o rejuvenescimento estava no salão e nos outros.

134. Capítulo CXXXIII

No original: CXXXIII

Brás Cubas explica por que confessou ao oficial de marinha os amores de Virgília, apesar de seu interesse em calar para evitar ódio, escândalo e a fama de indiscreto. Afirma que, antes desse interesse de segurança, prevaleceu o desvanecimento, mais íntimo e imediato. Conclui que o princípio de Helvétius se aplica ao seu caso: sua confissão foi movida não pelo interesse aparente, mas por um interesse oculto.

135. Esquecimento

No original: CXXXV

O narrador imagina que uma dama que o tenha acompanhado até ali fechará o livro, pois o amor, que era o interesse de sua vida, se extinguiu. Aos cinquenta anos, sem ainda estar inválido, mas já sem frescor, ele prevê que em dez anos compreenderá o que é não encontrar quem se lembre de seus pais e ser encarado pelo Esquecimento. As mulheres que já brilharam no passado devem aceitar que outras ocupem seu lugar, pois o tempo leva a todos; as que agora tomam o carro também serão apeadas pelo Esquecimento. O narrador diz que esse espetáculo diverte o planeta Saturno, entediado.

136. A Barretina

No original: CXXXVII

Quincas Borba adverte Brás Cubas de que está cedendo à melancolia e o exorta a agir e aproveitar a vida. Animado, Brás decide buscar espaço na política e discursa na Câmara a favor de diminuir a barretina da Guarda Nacional, alegando que ela é pesada, deselegante e prejudicial à saúde. Embora muitos elogiem a forma do discurso, alguns o consideram um desastre político e o julgam contrário ao gabinete; Brás rejeita essa interpretação e diz que aceitaria até um corte menor. Quincas Borba elogia o discurso e, ao contestar a barretina, acaba convencendo Brás de que ela é perigosa.

139. Capítulo CXL

No original: CXL

Brás Cubas explica o desespero que sentiu ao perder a cadeira de deputado, encerrando sua carreira política. Quincas Borba afirma que sua ambição não era uma verdadeira paixão pelo poder, mas um capricho, e que por isso lhe faltava a certeza de alcançar o que desejava. Brás interrompe a explicação sobre o Humanitismo, dizendo estar farto de filosofias. Embora esteja cercado por conforto, livros, pássaros e um dia agradável, não consegue se consolar da saudade da cadeira perdida.

140. Capítulo CXLI

No original: CXLI

Envergonhado e abatido, Brás Cubas diz a Quincas Borba que pretende fugir dos homens e se recolher na Tijuca. Para animá-lo, Quincas aconselha-o a fundar um jornal e lutar, afirmando que a vida é combate. No caminho, os dois observam uma briga entre cães famintos por um osso sem carne; Quincas contempla a cena com entusiasmo e a toma como exemplo da luta pela existência. Ele acrescenta que, entre os humanos, a disputa por alimento é ainda mais grandiosa e complexa, pois envolve a inteligência.

141. Capítulo CXLII

No original: CXLII

Quincas Borba defende que disputar comida aos cães é uma luta grandiosa, pois o homem sabe que tem fome, e argumenta que essa consciência se prolonga porque a fome retorna. Ao chegarem à casa de Brás Cubas, uma carta atribuída a Virgília pede ajuda para D. Plácida, que está muito doente, e sugere que ele tente interná-la na Misericórdia. Brás estranha a letra, que não parece ser de Virgília, e lembra que deixara cinco contos a D. Plácida. Quincas Borba, citando Pascal, reafirma que a consciência da fome é mais duradoura que a consciência da morte.

142. Capítulo CXLIII

No original: CXLIII

Enquanto ele guardava o livro, Brás Cubas relia o bilhete de Virgília. Ao jantar, seu comportamento calado e distraído levou o outro a perguntar se a carta o incomodava; Brás confirmou. Irritava-o o pedido de Virgília para que levasse D. Plácida à Misericórdia: dizia já lhe ter dado cinco contos de réis e imaginava que ela gastara o dinheiro. Como não se lembrava do beco das Escadinhas e previa o incômodo de ir até lá e chamar a atenção dos vizinhos, decidiu: “Não vou”.

145. Capítulo CXLVI

No original: CXLVI

Brás Cubas redige o programa de um jornal como aplicação política do Humanitismo, mas ele e Quincas Borba decidem não mencionar o livro ainda inédito. Quincas pede apenas uma declaração reservada de que alguns princípios do programa vieram de sua obra. O texto promete curar a sociedade e defender a liberdade e a conservação, e termina ameaçando derrubar o ministério; Brás justifica a ameaça como coerente com o Humanitismo. Quincas o chama de discípulo amado e reafirma sua fé na doutrina.

147. O Problema Insolúvel

No original: CXLVIII

Brás Cubas publica o jornal e, no dia seguinte, lê uma declaração de Cotrim afirmando que não militava em nenhum dos partidos, que não tinha influência nem participação na folha do cunhado e que reprovava suas ideias e seu procedimento político. Surpreso com a intervenção e a agressão pessoal, Brás não compreende o motivo, pois as relações entre eles eram cordiais e ele se recorda de favores prestados a Cotrim, inclusive de fornecimentos para o arsenal da Marinha. Sem encontrar explicação para a declaração, que lhe parece ao mesmo tempo uma ofensa e uma ingratidão, considera o caso um problema insolúvel.

148. Teoria do Benefício

No original: CXLIX

Quincas Borba considera absurda a acusação de ingratidão. Segundo ele, quem recebe um benefício tende a esquecê-lo quando a privação que ele remediou termina, embora a lembrança possa persistir pela esperança de novos favores. Já quem beneficia se recorda da ação porque sente o prazer de praticar o bem e a consciência de sua superioridade sobre o beneficiado. Para ilustrar essa satisfação, compara a consciência que se julga bela a uma mulher que se olha no espelho.

151. Capítulo CLII

No original: CLII

Após o enterro, Brás Cubas se afasta do cemitério, mas não consegue esquecer a cerimônia nem os soluços de Virgília. Ele se espanta com a contradição entre ela ter traído o marido com sinceridade e agora chorá-lo também sinceramente. No caminho para casa, conclui que as duas coisas são compatíveis: a dor, como a moeda de Vespasiano, não revela sua origem e pode vir tanto do mal quanto do bem. Para a Natureza, importa que Virgília tenha chorado, não o julgamento moral de sua cumplicidade.

152. Capítulo CLIII

No original: CLIII

Após sonhar que era nababo, Brás Cubas decide que será um e conta a ideia a Quincas Borba, que o considera louco. No dia seguinte, Quincas lhe envia um alienista, que assegura que Brás tem juízo, mas diz que o filósofo está doido e pede que o amigo o distraia. O alienista observa que a loucura pode entrar em qualquer casa e que um pouco de sandice pode dar vivacidade à vida. Brás fica aflito e horrorizado, e o alienista anuncia algo extraordinário.

153. Capítulo CLIV

No original: CLIV

O alienista recorda o ateniense pobre que julgava serem seus todos os navios que chegavam ao Pireu, e diz que todos têm um pouco dessa mania, imaginando possuir embarcações. Ele admite que também sente isso e afirma que Brás Cubas e seu criado não são exceção. Ao ver o criado sacudindo tapetes e deixando as janelas e cortinas abertas para exibir a sala, conclui que ele imagina ser dono dos navios e encontra nessa ilusão grande felicidade.

156. Capítulo CLVII

No original: CLVII

Brás Cubas abraça Quincas Borba e lhe conta que o alienista suspeita que ele esteja louco; Quincas estremece e empalidece. Nesse período, Brás se reconcilia com Cotrim e, após consultar Quincas, aceita filiar-se a uma Ordem Terceira. Quincas diz que pretende transformar o Humanitismo em religião e chama Brás de seu califa. Brás considera essa filiação a fase mais brilhante de sua vida: embora não revele seus serviços nem as recompensas recebidas, afirma que ajudar pobres e doentes lhe proporcionava grande satisfação.

157. Dois Encontros

No original: CLVIII

Depois de três ou quatro anos, Brás Cubas se enfara do ofício, deixa-o e recebe um donativo que lhe garante um retrato na sacristia. Ao visitar um cortiço para distribuir esmolas, reencontra Eugênia, ainda coxa e mais triste, vivendo em grande miséria. Ela o reconhece, mas recusa a esmola: cumprimenta-o com dignidade e se recolhe ao cubículo. Sem saber o que lhe acontecera, Brás vai ao hospital e vê Marcela morrer, feia, magra e decrépita.

158. A Semidemência

No original: CLIX

Brás Cubas percebe que está velho e precisa de apoio, mas Quincas Borba partira para Minas Gerais seis meses antes. Quincas volta quatro meses depois, demente, e conta que queimou o manuscrito do Humanitismo para recomeçá-lo, embora sua parte doutrinária estivesse completa. Consciente da própria loucura, interpreta-a como uma prova de Humanitas e recita trechos e litanias, além de executar uma dança sacra. Pouco depois, morre na casa de Brás Cubas, repetindo que a dor é uma ilusão e defendendo Pangloss.

159. Capítulo CLX

No original: CLX

Brás Cubas afirma que, entre a morte de Quincas Borba e a sua, o principal acontecimento foi a invenção do emplasto, que morreu com ele por causa da doença que contraiu. Não alcançou a celebridade que esperava, não foi ministro nem califa e não se casou, mas também não precisou ganhar o pão com o suor do rosto nem sofreu a morte de D. Plácida ou a semidemência de Quincas Borba. Ao fazer o balanço da vida, conclui que teve um pequeno saldo: não teve filhos e, assim, não transmitiu a ninguém o legado da miséria humana.

160. Prólogo da 3ª edição

O autor informa que a primeira edição das Memórias Póstumas de Brás Cubas saiu em partes na Revista Brasileira, em 1880, e que revisou e suprimiu trechos para a terceira edição. Recorda as dúvidas de Capistrano de Abreu sobre o livro ser um romance e a comparação de Macedo Soares com as Viagens na minha terra; Brás Cubas respondera que a obra era romance para uns, mas não para outros, e a descrevera como difusa e marcada por pessimismo. O autor destaca esse sentimento amargo e áspero como particular da obra, distinto do que encontra em seus modelos.

Para ler a obra inteira

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis

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