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Especiais TV USP Piracicaba: Monja Coen no SESC Piracicaba

Em palestra sobre paz mundial, Monja Coen conduz uma breve meditação e defende que a paz não se reduz à ausência de guerra: ela começa no modo como cada pessoa respira, fala, lida com a raiva e reconhece a dignidade do outro, mas precisa ganhar forma social e coletiva. Com histórias pessoais, referências ao budismo, a Gandhi e a experiências de solidariedade, ela propõe transformar indignação em ação, substituir julgamentos por compaixão e educar sobretudo pelo exemplo.

PALESTRANTE PRINCIPAL

Quem é Monja Coen?

Perfil editorial em preparação.

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TERMOS ESSENCIAIS

Vocabulário para compreensão

Mudra cósmico

Gesto de meditação em que uma mão repousa sobre a outra e os polegares se tocam levemente. É apresentado como parte da postura corporal para sentar e observar a respiração.

Empatia

Capacidade de identificar-se com a experiência de outra pessoa. Na fala, ela é explicada como um aspecto da compaixão e como base para tratar o próximo com respeito.

Próximo

Aquele que está perto e com quem se convive, não uma figura abstrata ou distante. O termo é usado para enfatizar o cuidado nas relações cotidianas.

Interser

Palavra usada para expressar que ninguém existe isoladamente, mas em relacionamento contínuo com tudo e todos. Designa a percepção de uma rede de interdependências entre pessoas, vida e mundo.

Natureza iluminada

Dimensão desperta ou lúcida presente nos seres, associada ao caminho budista. Estar em contato com ela significa perceber melhor os sinais da vida e agir com clareza.

Mente incessante e luminosa

Caracterização da mente como algo que não para de produzir movimentos e pensamentos, mas que também possui lucidez. A expressão serve para esclarecer que a prática não exige eliminar o pensamento.

Três venenos

Nome dado a tendências mentais prejudiciais, entre as quais a fala destaca a ganância, a inveja e o rancor. São apresentados como forças que alimentam separação e conflito.

Ganância

Desejo de possuir ou superar os outros, inclusive em questões espirituais e não apenas materiais. É citada como um dos venenos da mente humana.

Desilusionismo

Expressão apresentada como uma espécie de nova religião: cada desilusão pode aproximar alguém da verdade. Na conversa, significa deixar de sustentar ilusões e enxergar a realidade com mais clareza.

Voto de silêncio

Compromisso religioso de restringir a fala, mencionado ao descrever monges capuchinhos. É associado à oração, ao recolhimento e ao cuidado para não inflar o ego.

SÍNTESE DA CONVERSA

Principais ideias

Paz interior e paz mundial são inseparáveis

A palestrante sustenta que cada pessoa faz parte da vida da Terra e de uma rede de relações; por isso, tranquilidade individual sem responsabilidade pelo coletivo não basta.

Indignação deve gerar transformação

Ver abusos e injustiças pode provocar raiva e indignação, mas a resposta ética é transformar essa energia em ação concreta, não em ressentimento ou agressão.

A violência se reproduz nas relações cotidianas

Palavras humilhantes, reclamações improdutivas, invasão de privacidade, preconceitos e julgamentos são tratados como formas de violência que alimentam conflitos maiores.

Compaixão exige reconhecer a própria imperfeição

Em vez de se colocar como corretor do mundo, é preciso perceber as próprias fragilidades e compreender as condições que levam outras pessoas a agir de determinada maneira.

Meditar não é parar de pensar

A meditação é descrita como atenção desperta à respiração, ao corpo e à mente incessante, e não como apagamento dos pensamentos ou simples relaxamento.

Não violência é ação coletiva

A paz precisa sair do plano individual por meio de participação social, apoio a quem sofre e iniciativas concretas diante de problemas como a situação de pessoas em situação de rua.

Fazer o bem não deve criar cobrança

A ética é definida como agir sem esperar medalhas, gratidão ou retribuição; quando se dá algo, é preciso abrir mão de controlar o uso ou a resposta do outro.

O exemplo educa mais do que a punição

A história sobre o neto de Gandhi ilustra que assumir a própria responsabilidade e agir com coerência pode tocar alguém mais profundamente do que humilhar ou ameaçar.

Capítulos do vídeo

Livros e cursos citados

Citado no vídeo · livro

Política: Para não ser idiota

Mário Sérgio Cortella

Livro citado ao defender que a política faz parte da vida coletiva e que recusar toda participação social é uma forma de fechamento em si.

Relacionado editorialmente · livro

O Milagre da Atenção Plena

Thich Nhat Hanh

A conversa valoriza respiração consciente, atenção ao presente e a transformação da vida cotidiana pela meditação.

Relacionado editorialmente · livro

Não-Violência em Tempos de Guerra

Mahatma Gandhi

A palestra recorre a Gandhi para pensar diálogo, coerência pessoal e não violência como prática ativa.

Relacionado editorialmente · livro

A Arte da Felicidade

Dalai Lama e Howard C. Cutler

Relaciona-se à discussão sobre compaixão, contentamento, sofrimento e cultivo de estados mentais benéficos.

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Trechos marcantes

Monja Coen — “Eu devo ter feito alguma coisa errada que o meu filho está mentindo pra mim.”

Monja Coen — “Ele não puniu o filho. [...] Eu tenho que refletir em mim mesmo.”

No relato sobre o neto de Gandhi e o filho dele, o menino se atrasa porque foi ver um filme de caubói e mente, dizendo que o carro ainda estava na oficina. O pai já havia telefonado e sabia que era mentira. Em vez de puni-lo, decide voltar a pé para casa, embora usasse sapatos apertados que machucavam seus pés; segundo a história, o filho nunca mais mentiu.

Monja Coen — “A paz não é só a ausência da guerra, não é só a ausência da violência.”

Monja Coen — “Essa paz que nós encontramos em nós, ela tem que ser transformada numa paz social.”

Depois de falar de violência visível — armas, palavras grosseiras e invasão de privacidade — e de violências inscritas na própria narrativa histórica, como o apagamento de mulheres, povos indígenas e povos africanos, Monja Coen afirma que paz não é apenas a interrupção da guerra. Mais adiante, ela contrapõe a tranquilidade individual às bombas e mortes que acontecem fora de nós.

Monja Coen — “O que vocês estão fazendo? O que vocês fazem para mudar isso?”

Monja Coen — “Se incomoda, faça alguma coisa. Ficar reclamando sentado não adianta.”

No Fórum Social de Porto Alegre, Monja Coen conta que um grupo se dizia triste e indignado com crianças vivendo nas ruas. Uma trabalhadora social de Nova York, que explicara que pessoas em situação de rua dormem de dia porque a noite pode ser perigosa, devolve a pergunta ao grupo: eram quatro pessoas e poderiam fazer algo. Em seguida, ela narra o caso de uma mulher em Paris que convidou um homem em situação de rua para jantar e, depois desse primeiro gesto, passou a alimentar 400 pessoas.

Monja Coen — “A vida é como um jogo de beisebol. Depois que você atira a bola não dá pra pegar ela de volta.”

Monja Coen — “Você vai receber de volta aquilo que você jogou no mundo.”

A imagem vem de um ex-jogador de beisebol japonês, integrante de um casal idoso que Monja Coen visitava para fazer preces pelos familiares falecidos. Enquanto o casal discutia, ela pede ao homem uma lição tirada de sua vida mais longa; ele responde com a metáfora da bola lançada, que não pode ser trazida de volta.

Monja Coen — “Que bom que eu tive um marido maravilhoso por trinta anos.”

Monja Coen — “Agora não vai mais falar do cidadão, vai falar de você, vai cuidar de você.”

Uma mulher conta que o marido, de 60 anos, se apaixonou por sua secretária de 25 e foi embora após 30 anos de casamento. Ela só percebeu a situação quando ele saiu de casa e continuava recontando a história em todos os lugares. Monja Coen não minimiza o modo como ele partiu — observa que ele não conversou com a esposa —, mas a alerta para não adoecer presa à narrativa e a convida a reconhecer os 30 anos vividos.

Monja Coen — “Cada vez que uma pessoa tem uma desilusão está mais próximo da verdade.”

Monja Coen — “Que bom, agora eu já percebi. É só isso. O resto, drama, é extra.”

Monja Coen apresenta a ideia como uma frase do professor Hermógenes, a quem chama de fundador e pioneiro do yoga. Ela a situa numa explicação de meditação não como relaxamento, mas como prática para despertar, ver a realidade como ela é e não ser enganado, manipulado ou iludido.
ARTIGO SOBRE O VÍDEO

Resumo completo

A palestra começa com uma prática guiada de meditação silenciosa. Monja Coen orienta o público a ajustar a postura, alongar a coluna, observar a respiração e acolher sons e pensamentos. Esse início estabelece uma tese que atravessa toda a fala: paz não é uma abstração distante, mas uma experiência que se cultiva no corpo, na mente, na fala e nas relações. Ao abordar a paz mundial, ela afirma que a vida de cada pessoa não está separada da vida da Terra. A imagem da Mãe Terra serve para defender respeito ambiental e interdependência: ar, água, solo, plantas, animais e seres humanos compõem o mesmo corpo vivo. Nessa perspectiva, a tranquilidade pessoal não pode ser pensada sem o cuidado com o mundo comum. Monja Coen critica a murmuração improdutiva e diferencia indignação de raiva cultivada. Perceber uma injustiça é necessário; o problema é descarregar ressentimento em quem não pode resolver nada. A indignação, diz ela, pode ser uma plataforma de transformação. A pergunta decisiva passa a ser: o que posso fazer a respeito? O documentário Quem se importa aparece como exemplo de pessoas que transformam preocupação social em iniciativas concretas. A palestra também questiona barreiras entre “eu” e “os outros”. Histórias de sua vida monástica mostram como a pretensão de ser moralmente superior cria separação e violência. A compaixão é explicada como empatia: reconhecer que o outro, inclusive quem erra ou nos trata mal, é um ser humano sujeito a causas, condições, medos e fragilidades. Isso não equivale a aceitar abusos, mas a responder sem desumanizar. Ao falar sobre violência, Monja Coen amplia o conceito para além de armas e guerras. Há violência em palavras, gestos, invasões, preconceitos, narrativas históricas excludentes e relações baseadas em controle. Gandhi é apresentado como referência de diálogo: para negociar de verdade, seria preciso ser capaz de amar ou ao menos reconhecer plenamente a humanidade de quem está do outro lado. Os estados emocionais, lembra ela, aparecem no corpo e não podem ser escondidos apenas por palavras bonitas. A respiração consciente retorna como recurso prático para momentos de tensão. Meditação, porém, não é parar de pensar nem apenas relaxar: é despertar, desenvolver atenção e não ser facilmente manipulado pelas ilusões. A mente permanece ativa, mas a pessoa pode aprender a não se prender apenas ao seu movimento. A noção de interser reforça que todos existem em relação contínua com os demais e com o mundo. Na segunda metade, a paz ganha contornos explicitamente sociais. Monja Coen conta uma conversa sobre pessoas em situação de rua e crianças nas ruas para mostrar que indignação sem participação não altera a realidade. A não violência precisa ser ativa: fazer o primeiro gesto, reunir pessoas que partilham uma preocupação e construir respostas possíveis. Ela também defende que política não é algo externo ou sujo, mas a dimensão coletiva inevitável da vida em família, comunidades e sociedades. A ética aparece como fazer o bem sem cobrar retorno. A palestrante alerta para a vaidade de querer ser “bonzinho” e para o risco de oferecer ajuda sem escutar o que o outro realmente precisa. Dar algo de verdade implica não controlar seu destino. A reflexão vale também para práticas religiosas: pedidos e promessas podem se tornar trocas interessadas, enquanto gratidão e consciência convidam a uma relação mais íntegra com a vida. Por fim, histórias sobre separações, conflitos familiares, desilusões e uma anedota sobre o neto de Gandhi aproximam os princípios da vida cotidiana. A orientação recorrente é falar com ternura e respeito, cuidar de si, reconhecer a dor sem alimentar drama e não responder à mentira ou à falha do outro com humilhação. A conclusão sustenta que se educa melhor pelo exemplo: pequenas escolhas honestas e respeitosas podem inverter a roda da violência e colocá-la em direção à paz.

Perguntas sobre esta conversa

Qual é a relação entre paz interior e paz mundial segundo Monja Coen?

A palestra afirma que não são dimensões separadas: a paz interior deve aparecer nas relações, no respeito à vida e na participação diante dos problemas coletivos.

O que Monja Coen entende por não violência ativa?

É agir para transformar situações prejudiciais sem reproduzir ódio, agressão ou indiferença. Não significa permanecer passivo diante da injustiça.

Como a meditação é apresentada na palestra?

Como prática de atenção ao corpo, à respiração, aos sons e aos pensamentos. Meditar não significa parar a mente, mas observá-la com mais clareza.

O que significa compaixão nesta fala?

Compaixão é entendida como empatia e reconhecimento da semelhança humana, sem superioridade moral e sem confundir cuidado com controle.

Por que a palestrante critica a reclamação constante?

Porque reclamar para quem não pode agir apenas alimenta amargura. O importante é identificar o problema, buscar os responsáveis e transformar o incômodo em ação.

Como a palestra define ética?

É fazer o bem sem esperar aplauso, gratidão, recompensa ou poder sobre a pessoa que recebe a ajuda.