Períodos da História da Filosofia | Introdução Geral à Filosofia | Prof. Vitor Lima | Aula 05
Vitor Lima apresenta um panorama da história da filosofia, da Antiguidade ao Iluminismo, defendendo que a filosofia está na história porque responde a problemas de cada cultura e tem uma história porque herda conceitos, questões e tradições. A aula relaciona a pólis e a democracia ao surgimento da filosofia grega; explica a patrística e a escolástica a partir do encontro entre cristianismo e pensamento antigo; recupera o caráter humanista, místico e político da Renascença; e caracteriza a modernidade e o Iluminismo pela centralidade do sujeito, da razão, da ciência, da liberdade e do progresso.
Vocabulário para compreensão
Pólis
Cidade-Estado autônoma da Grécia antiga, com organização política própria. Na aula, é apresentada como o contexto social que favoreceu a deliberação pública e o surgimento da filosofia.
Isonomia
Igualdade dos cidadãos perante a lei e, no contexto grego mencionado, quanto ao direito de discursar publicamente. É uma característica atribuída à democracia ateniense.
Problemas extrafilosóficos
Questões originadas na vida social, política, religiosa ou técnica, e não apenas em debates internos da filosofia. O professor afirma que a filosofia responde a esses problemas de maneira filosófica.
Fisis
Termo grego, também grafado physis, que designa a natureza ou o mundo físico. É usado para caracterizar a investigação dos pré-socráticos e dos antigos fisiólogos.
Primeiro motor
Princípio divino aristotélico que explica o movimento do mundo sem ser ele próprio movido. Na aula, é contrastado com o Deus cristão, que é concebido como criador do mundo.
Patrística
Conjunto do pensamento dos primeiros filósofos cristãos, situado entre o fim da Antiguidade e o século VI. Procura articular a tradição filosófica greco-romana com o cristianismo.
Verdade revelada
Verdade recebida por revelação divina, especialmente por meio das Escrituras, e não alcançada apenas pela investigação racional. É contraposta na aula à verdade natural ou verdade da razão.
Iluminação divina
Concepção segundo a qual o conhecimento depende de uma graça ou dádiva de Deus. É listada como uma noção importante do pensamento patrístico.
Livre-arbítrio
Capacidade humana de escolher e agir por vontade própria. Aparece como questão desenvolvida no pensamento cristão e posteriormente relevante para a filosofia moderna.
Escolástica
Tradição medieval ligada às escolas que deram origem às universidades e a um modo argumentativo de filosofar. Na aula, é associada à forte influência de Aristóteles e ao cultivo da lógica.
Principais ideias
Filosofar envolve responder filosoficamente a problemas extrafilosóficos presentes no mundo social e cultural. Por isso, questões como a pólis, o cristianismo, a liberdade individual e a inteligência artificial moldam diferentes épocas filosóficas.
Todo filósofo recebe problemas, conceitos e respostas anteriores. Ele pode aprofundar uma escola, criar novos campos de investigação, criticar tradições estabelecidas ou tentar instaurar outra tradição.
A democracia direta das cidades-Estado gregas, baseada na deliberação pública entre cidadãos, é apresentada como um solo favorável ao discurso racional que busca razões sem apelar apenas à autoridade mítica ou religiosa.
Os primeiros filósofos cristãos procuraram integrar pensamento greco-romano e doutrina cristã, subordinando o primeiro à revelação e introduzindo problemas como criação, pecado, trindade, mal, interioridade e livre-arbítrio.
A aula diferencia posições que consideram fé e razão inconciliáveis, posições que aceitam a razão subordinada à fé e posições que reservam a cada uma um campo próprio.
A filosofia medieval escolástica é caracterizada por sua ligação com as escolas e universidades, pelo uso da disputácio e pela atenção à lógica, aos universais e aos argumentos sobre a existência de Deus.
Além do humanismo, da técnica e da retomada de autores antigos, a Renascença inclui hermetismo, misticismo, alquimia, astrologia e a ideia de uma natureza viva e interligada.
A filosofia moderna passa a investigar como o ser humano conhece, tratando o mundo como representação e como sistema racional de causalidades passível de descrição matemática, experimentação e controle técnico.
O Iluminismo sustenta que o uso da razão pode conduzir à liberdade, ao progresso individual e à felicidade social e política, influenciando processos como a Revolução Francesa.
Capítulos do vídeo
Livros, cursos e referências


A Revolução dos Bichos
George Orwell
Obra mencionada como leitura já gravada do clube do livro de 2020.

A Sabedoria dos Mitos Gregos
Luc Ferry
Livro citado entre as leituras previstas para o clube do livro.
FILOSOFIAcapa em atualização
Aprender a Viver
Luc Ferry
Livro citado entre as leituras previstas para o clube do livro.

Convite à Filosofia
Marilena Chaui
Obra listada na descrição como bibliografia utilizada na aula.

O Mundo de Sofia
Jostein Gaarder
Livro anunciado como uma das leituras futuras do clube do livro.
FILOSOFIAcapa em atualização
Pensando Bem
Isto não é Filosofia
Curso pago de pensamento crítico, apresentado como formação para reconhecer, avaliar e expressar argumentos.

Utopia
Thomas More
Obra mencionada ao explicar que Thomas More inventou o termo "utopia".
FILOSOFIAcapa em atualização
História da Filosofia Ocidental
Bertrand Russell
Oferece um percurso histórico pelas escolas e autores ocidentais, útil para aprofundar o panorama apresentado.
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Trechos marcantes
Vitor Lima — “Você estuda filosofia, qual que é o problema? É o problema da sua vida?”
Vitor Lima — “O que que você busca resolver que te leva a assistir uma aula de filosofia que tem aqui seus 40 minutos?”
Depois de relacionar os problemas filosóficos às sociedades de cada época — ética e política na pólis, fé e razão na Idade Média, liberdade no Iluminismo — o professor encerra este primeiro ciclo histórico do curso perguntando qual problema pessoal leva o espectador a assistir à aula de cerca de quarenta minutos. Ele convida a resposta e o diálogo respeitoso nos comentários, já que a aula foi gravada, não ao vivo.
Vitor Lima — “Seja humilde intelectualmente falando, ou seja, não se apegue demais às suas ideias como se elas fossem muito preciosas.”
Vitor Lima — “Certamente o que você está pensando agora, alguém mais antigo já pensou, e eu vou te falar, de modo muito melhor que você.”
O professor apresenta uma máxima transmitida entre professores de filosofia: seu próprio professor a repetia porque também a ouvira de outro professor. A advertência vem logo após explicar que quem estuda filosofia herda problemas, conceitos, teorias e respostas já elaborados; em seguida, ele ressalva que a filosofia também inova ao criar disciplinas para problemas antes não sistematizados.
Vitor Lima — “A renascença não é um período da história racionalista, ao contrário do que a gente estuda nos livros de história mais rasos.”
Vitor Lima — “Ela tem uma aproximação com a tradição greco-romana de modo também místico.”
Ao apresentar a transição da filosofia medieval para a Renascença, o professor contrapõe a revalorização de Platão e dos autores greco-romanos à imagem de um período apenas lógico-matemático. Ele cita o hermetismo, que entendia a natureza de modo mágico, além da ideia do homem como microcosmo, da magia natural, da alquimia e da astrologia — campos então cultivados e respeitados.
Vitor Lima — “Você já ouviu por acaso alguém falar: "Seja mais racional e menos emocional?"”
Vitor Lima — “É uma crença típica iluminista, como se as duas coisas fossem completamente diferentes.”
Ao resumir teses do Iluminismo, o professor afirma que a razão seria capaz de conquistar liberdade, felicidade social e política e libertar indivíduos de preconceitos. Ele conecta essa confiança, associada por ele à influência decisiva na Revolução Francesa de 1789, ao conselho ainda repetido de opor razão e emoção.
Resumo completo
Perguntas sobre esta conversa
Quais períodos da história da filosofia a aula aborda?
A aula passa pela filosofia antiga, patrística, filosofia medieval, Renascença, filosofia moderna e Iluminismo. O período contemporâneo fica para a aula seguinte.
O que significa dizer que a filosofia está na história?
Significa que a filosofia dialoga com os problemas sociais, culturais, políticos e religiosos de seu tempo, respondendo a questões extrafilosóficas de maneira filosófica.
Qual é a relação entre a pólis grega e o nascimento da filosofia?
Segundo o panorama apresentado, a pólis e a democracia direta criaram práticas de deliberação pública que favoreceram a busca racional por razões, em vez do apelo exclusivo à autoridade mítica ou religiosa.
O que foi a patrística?
A patrística foi o pensamento dos primeiros filósofos cristãos, aproximadamente do século I ao VI, empenhado em articular a herança greco-romana com temas cristãos como criação, trindade, mal, fé e revelação.
O que caracteriza a escolástica medieval?
A escolástica se relaciona às escolas e universidades medievais e se destaca pelo método argumentativo da disputácio, pelo apreço à lógica e por problemas como os universais e a existência de Deus.
Por que a Renascença não pode ser reduzida ao racionalismo?
Porque, além de humanismo, técnica e recuperação de autores antigos, ela também reuniu hermetismo, misticismo, magia natural, alquimia e astrologia.

