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Como Manter a Paz em Tempos de Dificuldades | Monja Coen

Monja Coen propõe que a paz em tempos difíceis não depende de negar o sofrimento, mas de reconhecer suas causas, treinar a mente e responder com lucidez. Partindo do zazen e de ensinamentos budistas como dukkha, interdependência e nirvana, ela defende uma ética do cuidado, da não violência, dos limites respeitosos e da apreciação da vida presente. A palestra também aproxima prática interior e responsabilidade coletiva: transformar as próprias emoções, palavras e atitudes é uma forma de cuidar das relações, da sociedade e do planeta.

PALESTRANTE PRINCIPAL

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TERMOS ESSENCIAIS

Vocabulário para compreensão

Zazen

Prática Zen de meditação sentada e silenciosa. Na fala, é apresentada com instruções de postura, respiração e observação das sensações e pensamentos.

Mudra cósmico

Gesto ritual feito com as mãos, colocando-se a direita abaixo da esquerda e unindo levemente os polegares. É usado durante o zazen como parte da postura meditativa.

Refúgio

Ato de se voltar para Buda, Dharma e Sangha como orientação espiritual e ética. A palestrante conduz a fórmula: “retorno e me abrigo” nesses três elementos.

Buda

Literalmente, o ser desperto ou iluminado. Na conversa, não designa apenas uma pessoa histórica, mas a condição de quem acorda para a realidade.

Dharma

Os ensinamentos atribuídos ao Buda e o caminho que orienta a prática. É mencionado como um dos três refúgios e como fonte de princípios éticos.

Sangha

Comunidade de pessoas que praticam juntas e compartilham propósitos e valores éticos. A fala destaca seu apoio mútuo, sem exigir que todos pertençam à mesma religião.

Dukkha

Termo budista traduzido na fala como insatisfação: a experiência de que as coisas, pessoas ou circunstâncias não são como se gostaria. É apresentado como uma realidade a ser reconhecida, não negada.

Quatro Nobres Verdades

Ensinamento budista que começa pelo reconhecimento do sofrimento ou da insatisfação e de suas causas. A palestrante o utiliza para explicar que dificuldades podem ser compreendidas e transformadas.

Nirvana

Estado de plenitude, tranquilidade e sabedoria, distinto de uma mente vazia ou passiva. Na fala, é descrito como uma possibilidade de cessação da insatisfação e de retorno ao equilíbrio.

Sutra

Ensinamento ou texto tradicional atribuído ao Buda. A palestrante menciona sutras em rituais de bênção e em sua explicação sobre a continuidade da vida.

SÍNTESE DA CONVERSA

Principais ideias

A tranquilidade pode ser reencontrada

A paz interior não elimina os acontecimentos desagradáveis, mas oferece um centro ao qual se pode voltar depois de perder o equilíbrio.

Meditar não é esvaziar a mente

A meditação não exige ausência de pensamentos. Trata-se de perceber a mente sem ficar aprisionado por ideias prévias sobre a realidade ou sobre si mesmo.

O sofrimento tem causas e condições

A insatisfação é real, mas não é um destino isolado: ela surge em redes de causas, condições e efeitos que podem ser compreendidas e transformadas.

Ninguém existe separado

A noção de interdependência leva a reconhecer vínculos com outras pessoas, gerações, animais, ambiente e sociedade, ampliando a responsabilidade ética.

Cuidar não é controlar

Cuidado significa criar condições para que o outro manifeste o melhor de si, e não impor aquilo que julgamos conveniente para ele.

Diferença não exige eliminação

É possível discordar politicamente, estabelecer limites e confrontar preconceitos sem tratar o outro como alguém que deve ser exterminado ou excluído.

Palavras moldam a experiência

Evitar reclamações constantes, palavrões e murmúrios hostis é apresentado como treino para não alimentar amargura e violência na própria mente.

A ética começa no que ninguém vê

A integridade é medida também pela forma como alguém age quando está só; o “lado do avesso” deve ser tão cuidadoso quanto a imagem mostrada ao mundo.

A não violência pede ação consciente

A palestra não recomenda passividade: é legítimo manifestar-se e definir limites, desde que sem ofensa, agressão ou invasão da dignidade alheia.

Apreciar o presente é uma prática

Como nenhum encontro se repete, a vida humana pede presença e gratidão em vez de uma busca constante por retorno ao passado ou fuga do momento atual.

Capítulos do vídeo

Livros e cursos citados

Capa de O Sofrimento é Opcional
Citado no vídeo · livro

O Sofrimento é Opcional

Monja Coen

Livro apresentado como lançamento e relacionado à pergunta sobre como o Zen lida com a depressão e com as Quatro Nobres Verdades.

Citado no vídeo · livro

Para uma Pessoa Bonita

Livro atribuído à superiora da palestrante no mosteiro de Nagoya; a autora não é nomeada na transcrição.

Relacionado editorialmente · livro

Paz é Cada Passo

Thich Nhat Hanh

Aprofunda a atenção plena, a não violência e a possibilidade de cultivar paz em atividades cotidianas.

Relacionado editorialmente · livro

O Coração dos Ensinamentos de Buda

Thich Nhat Hanh

Oferece uma introdução acessível a conceitos presentes na palestra, como sofrimento, interdependência e caminho ético.

Relacionado editorialmente · livro

A Arte da Felicidade

Dalai Lama e Howard C. Cutler

Relaciona-se à ideia, citada na fala, de preservar a tranquilidade diante de adversidades e emoções difíceis.

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Trechos marcantes

Monja Coen — “Monja, eu queria me suicidar, mas eu ouvi uma fala sua. Isso transformou minha vida.”

Monja Coen — “Que bom. A fala não é minha. A fala é de Buda.”

Ao explicar como suas palestras passaram a ser gravadas e publicadas no YouTube por jovens, Monja Coen conta que uma jovem a abordou na rua com esse relato. Aos 70 anos e monja havia 35, ela diz que ensinamentos que transmitia há décadas se tornaram mais acessíveis quando circularam nos meios de comunicação usados por jovens.

Monja Coen — “Não deixe que ninguém tire a sua tranquilidade.”

Monja Coen — “Eu saio do meu estado de equilíbrio, mas eu logo volto.”

Respondendo a como encontrar paz em meio ao que parece não ter paz, Monja Coen contrapõe expectativas frustradas — pessoas e situações que não respondem como ela gostaria — à possibilidade de voltar ao centro. Ela também relata ter vivido 12 anos no Japão, oito deles em um mosteiro, onde conviveu com uma grande mestra.

Monja Coen — “Este encontro que nós estamos tendo aqui hoje nunca, nunca, nunca mais acontecerá.”

Monja Coen — “Nada jamais se repete.”

Depois de contar que mudou a rotina para preparar o café da manhã do bisneto de 3 anos, enquanto a neta e a família moram temporariamente em seu templo por causa de uma obra, Monja Coen fala da capacidade de apreciar a existência. O encontro presente ganha peso porque, mesmo se todos retornassem no dia seguinte com as mesmas roupas e nos mesmos lugares, já não seriam os mesmos após 24 horas.

Monja Coen — “Existe sofrimento, dificuldades, problemas, mas você não precisa pôr uma flecha em cima da flechada que a vida já dá.”

Monja Coen — “E ficar reclamando e resmungando por isso.”

No encerramento, depois de ouvir a história do pai de uma mulher que fugiu da Polônia e veio para o Brasil, Monja Coen lembra o sofrimento das gerações anteriores e a responsabilidade de apreciar as condições que permitem estar vivo hoje. Ela então retoma as Quatro Nobres Verdades: dor, sofrimento e insatisfação existem, mas há causas e condições que podem ser transformadas.

Monja Coen — “O lado do avesso tem que ser tão bonito quanto o lado direito.”

Monja Coen — “Como que você se trata quando está sozinha? O que você faz quando você acha que ninguém está vendo você?”

Antes da imagem do manto, Monja Coen admite que ainda é impaciente com alunos que não a entendem e diz que seu treinamento atual é justamente não reagir com irritação. A fala ganha força porque ela rejeita a ideia de estar pronta: para ela, o treinamento ético é eterno e incessante. O manto que veste simboliza um campo de arroz e a vida ética que se cultiva.

Monja Coen — “Pensamos de forma diferente e podemos ser amigos.”

Monja Coen — “Podemos votar em partidos diferentes, ter pensamentos administrativos, políticos, econômicos diferentes.”

A fala vem após uma crítica à lógica de extermínio: ela diz que é preciso cortar pensamentos discriminatórios e preconceituosos pela raiz, sem querer exterminar a pessoa. Em seguida, conta que um aluno de pensamento político completamente oposto ao seu envia provocações, ela responde, mas nenhum dos dois exclui o outro.

Monja Coen — “Quando é bom para todos nós, é bom para nós.”

Monja Coen — “Cada vez que nós fazemos coisas que seja pro bem do maior número de seres, nós estamos fazendo bem para nós.”

A conclusão vem depois de ela lembrar o sofrimento atravessado por gerações anteriores e de defender escolhas que não firam nem ofendam. Ela aproxima o bem coletivo da vida íntima ao citar filho, filha, namorada, pai, mãe e avô: ninguém pode ser colocado sob uma redoma, separado da realidade compartilhada.
ARTIGO SOBRE O VÍDEO

Resumo completo

A palestra começa com uma prática guiada de zazen, na qual Monja Coen orienta o público a ajustar a postura, acompanhar a respiração e perceber sons, sensações e pensamentos. Em seguida, ela explica o refúgio em Buda, Dharma e Sangha: Buda é o desperto, Dharma é o ensinamento e Sangha é a comunidade de pessoas que praticam juntas e compartilham propósitos éticos. Para ela, essa comunidade pode incluir também quem não segue uma religião, mas busca fazer o bem. Ao responder como manter a paz em momentos difíceis, Monja Coen afirma que tranquilidade não é a ausência de perturbações. Pessoas e acontecimentos podem tirar alguém do eixo, mas a prática consiste em reconhecer isso e voltar ao equilíbrio. Ela relaciona esse retorno ao ensinamento budista sobre dukkha, a insatisfação decorrente de desejar que o mundo, as relações e as circunstâncias sejam diferentes do que são. O sofrimento é real, mas possui causas e condições; portanto, não precisa ser enfrentado apenas com resignação. A meditação, em sua explicação, não busca esvaziar a mente. A mente continua produzindo pensamentos, imagens e possibilidades. O treino é não se fixar em uma única ideia e abrir-se à experiência direta do que está acontecendo. Essa compreensão se articula à interdependência: nada existe sozinho, pois toda realidade se forma em redes simultâneas de causas, efeitos e condições. A palestrante aplica essa visão à relação com outras pessoas, com o ambiente, com os animais e com as gerações futuras. A fala também transforma interdependência em responsabilidade ética. Monja Coen defende o cuidado como criação de condições para que cada pessoa manifeste o seu melhor potencial, e não como controle. Ela critica o pensamento de extermínio, seja dirigido a animais, grupos humanos ou pessoas que pensam diferente. Discordâncias políticas e sociais não precisam levar à exclusão: é possível sustentar diferenças e preservar amizade, respeito e limites. Outro eixo importante é a linguagem. Reclamação, murmúrio, palavrões e ofensas são apresentados como hábitos que alimentam a amargura em quem os produz. A proposta não é silenciar injustiças, mas manifestar-se sem violência. Inspirada em Gandhi e comparando a resposta não reativa ao Aikidô, Monja Coen sugere deixar a agressão passar em vez de reproduzi-la automaticamente. Respeitar o outro, inclusive em relações marcadas por hierarquias sociais, é uma maneira de criar as condições para ser respeitado. A palestrante insiste que esse treinamento não termina. Ela reconhece a própria impaciência e usa uma frase de sua superiora no mosteiro: “o lado do avesso tem que ser tão bonito quanto o lado direito”. A imagem define integridade como coerência entre o que se mostra ao mundo e o que se faz quando ninguém vê. A ética budista, simbolizada pelo manto, deve vestir a vida cotidiana: não fazer o mal, fazer o bem e buscar o bem de todos os seres. No final, Monja Coen convida o público a apreciar a vida porque nenhum instante se repete. Presença não exige longas horas: alguns minutos de atenção verdadeira podem transformar uma relação. Ao retomar o caminho ético, a meditação e a sabedoria como compreensão clara da realidade, ela conclui que o bem individual não está separado do bem coletivo. Cultivar paz é trabalhar as próprias emoções e agir de forma que a vida seja melhor para o maior número possível de seres.

Perguntas sobre esta conversa

O que é zazen segundo a palestra?

Zazen é a meditação sentada do Zen. Monja Coen a apresenta por meio da postura corporal, atenção à respiração, percepção dos sentidos e observação da mente.

Meditar significa parar de pensar?

Não. A palestrante afirma que a mente é ativa e luminosa; meditar significa perceber pensamentos e ideias sem se aprisionar a eles, não produzir uma mente vazia.

Como o budismo explica o sofrimento?

A palestra usa o termo dukkha para a insatisfação que surge quando a realidade não corresponde às expectativas. Esse sofrimento tem causas e condições que podem ser compreendidas e transformadas.

O que significa interdependência na palestra de Monja Coen?

Significa que nada existe de modo isolado: pessoas, ambiente, relações e acontecimentos surgem em redes de causas, condições e efeitos. Por isso, cuidar de outros e do mundo também é cuidar de si.

Não violência significa aceitar tudo sem limites?

Não. Monja Coen defende estabelecer limites claros para proteger intimidade e convivência, mas sem agressão, insulto ou desejo de eliminar quem é diferente.

Como cultivar paz interior em situações difíceis?

A palestra recomenda retornar ao centro por meio de meditação, atenção às próprias emoções, linguagem cuidadosa, autoconhecimento, presença e ações orientadas ao bem comum.